Como eu estive fora por alguns dias, resolvi fazer um apanhado com alguns assuntos da semana. Aí vai:
O Video Game Verão pode até ter saído do ar antes do previsto, mas ele já vai embora tarde demais. Escalado para impulsionar a fraca audiência de Malhação, o programa, se dependesse da qualidade e da sensatez dos executivos da emissora, nunca deveria ter ido ao ar. Com provas sem graça e convidados mal selecionados, a “atração” pecou também pela produção pobre e pela apresentação, que nunca deveria ter saído das mãos de Angélica. O final da história já estava anunciado: o programa não pegou, não cumpriu a missão de ajudar Malhação, pelo contrário, e ainda causou constrangimento na emissora pelo resultado final. O Vídeo Show vai para o mesmo caminho. Sob as asas de Boninho, o programa foi descaracterizado, é apresentado através de um jogral entre André Marques e Ana Furtado, e conta com matérias cada vez mais irrelevantes. Dani Monteiro, cobrindo as férias de Geovanna Tominaga, contribui para fazer a receita desandar. Triste para um programa que já foi um dos guardiões da memória da nossa TV. Hoje é uma grande bobagem.
Brado Retumbante terminou sem conquistar a audiência que merecia. Com um texto irretocável, a minissérie contou com ótimas interpretações, Maria Fernanda Candido em seu melhor momento e a direção sempre correta de Ricardo Waddington. Política, se não for tratada de forma cômica, é um tema que raramente desperta grande interesse na teledramaturgia. A fotografia fria, embora muito justificável neste caso, sempre me incomoda um pouco na TV, mas é um detalhe perto da qualidade apresentada. Mostrando os bastidores do mandato de um presidente fictício, Brado Retumbante fez a lição de casa direitinho, mas nem sempre isso basta para fisgar o heterogêneo e complexo público televisivo.
Com Rei Davi, a Record conseguiu subir um degrau em relação às séries bíblicas apresentadas anteriormente, mas não ainda para justificar a aposta nestes temas. Algumas caracterizações e efeitos incomodam, e os diálogos poderiam ser um pouco melhor trabalhados. É realmente difícil entender tanto gasto neste momento da emissora em um produto que, dada a complexidade da produção, sempre ficará aquém do necessário em determinado aspectos, como na aparência dos atores. Os números mostram que, apesar dos pesares, o produto foi aprovado, e os temas bíblicos sempre têm o seu público. Vale pela boa intenção da Record e pela aposta em produtos especiais, que é sempre importante.
Páginas da Vida foi mais uma vez vetada na reprise do Vale a Pena Ver de Novo. Até aí nenhuma surpresa, e já era até óbvio. Se a abertura de Mulheres de Areia precisou ser modificada, o que esperar da trama na qual uma avó recusa a neta com Síndrome de Down? A Rede Globo foi muito otimista em tentar exibir a novela. No lugar da obra de Manoel Carlos, está confirmada, segundo alguns veículos, a segunda reprise de Chocolate com Pimenta, de Walcyr Carrasco. A história é boa e tem muitas qualidades, mas nada que justifique uma segunda exibição. Com um cardápio enorme de tramas para serem levadas ao ar, a emissora mostra mais uma vez que a escolha das novelas do Vale a Pena é feita de uma forma bem peculiar, e que é melhor nem tentar entender.

















