Chegou ao fim Dercy de Verdade, mais um belíssimo texto de Maria Adelaide Amaral, dirigido por Jorge Fernando, a pessoa certa para retratar a irreverência de Dercy Gonçalves. O diretor não conseguiu imprimir seu estilo com a força que fez em Tititi, mas isso não diminui os méritos na minissérie. Dercy de Verdade, aliás, foi mais do que uma minissérie, foi uma das mais belas homenagens já feitas na televisão.
A autora não apenas retratou a vida de Dercy, fez dela a protagonista absoluta, com direito a nome em primeiro lugar nos créditos da abertura, algo inédito e justo. As cenas reais de Dercy no meio da história criaram um recorte interessante, que engrandeceu a obra, ao invés de gerar comparações com as intérpretes.
Heloisa Périssé e Fafy Siqueira conseguiram mostrar que não são apenas comediantes, são grandes atrizes. Heloísa deixou claro que tem futuro promissor na teledramaturgia do canal, já Fafy levou para a personagem alguns vícios da imitação que faz de Dercy, mas provou que segura bem cenas mais fortes. Não dá para condenar as atrizes por alguns exageros, já que era uma das caracteristicas da retratada.
Um dos poucos problemas da minissérie foi a trilha, que merecia acordes inéditos, e não uma reciclagem de Chocolate com Pimenta. Tivesse seguido a ideia da abertura , com uma instrumental de “A perereca da vizinha”, tão cantada por Dercy, a produção teria mais personalidade neste quesito.
Maria Adelaide ficou devendo mais dos últimos anos de Dercy, como ela vivia perto dos cem anos e as dificuldades pelas quais passou. Alguns momentos da vida da homenageada ficaram sem profundidade, e talvez para isso fosse preciso mais alguns capítulos . Nada que tire a grandeza da homenagem como um todo, um recorte que mostrou que além de uma senhora que se promovia falando palavrão, Dercy era uma puta atriz.

Concordo em gênero, número e grau. A minissérie soube retratar a personalidade de Dercy, e ainda que sua história tenha se desenrolado de maneira abrupta e rápida, soube prender o telespectador do início ao fim. A produção e o elenco foram impecáveis e deslumbrantes. Uma bela homenagem a maior artista do teatro brasileiro, A GRANDE DERCY GONÇALVES.
Também gostei muito da minissérie. E achei que Fafy arrasou no papel. Ela conseguiu captar trejeitos da verdadeira Dercy, mas sem parecer imitação. Ficou no tom. Achei Heloísa mais exagerada, entretanto ela me surpreendeu muito nas cenas dramáticas. Enfim, excelente minissérie da grife Maria Adelaide Amaral!
André San – http://www.tele-visao.zip.net
Apesar de Dercy Gonçalves ainda estar no imaginário atual, os jovens abaixo de 25 não sabem quem realmente é Dercy Gonçalves, e foi mito bem a exibição , para essa faixa descobrir Dercy.
As minisséries Dercy de Verdade e O Brado Retumbante pra mim, são as poucas coisas boas nesse primeiro trimestre na tv aberta. Talvez a animação do Sítio e provavelmente a série As Brasileiras serão bons produtos, já que As Cariocas foi bem feito.
Daniel Miyagi
http://danielmiyagi.blogspot.com/