Após 11 edições exibidas, supunha-se que o público do Big Brother Brasil não teria mais entusiasmo para vibrar por participantes com a força que torceu em edições passadas, como na quinta e na sétima, por exemplo. Engano. Pode não ser a mesma força de outrora, mas a eliminação do participante Ronaldo, com 81% dos quase 40 milhões dos votos, mostrou que os telespectadores ainda vestem a camisa de seus concorrentes preferidos. A décima segunda edição aponta também que os participantes podem ter perdido muito da naturalidade, até pela seleção que Boninho vem fazendo, mas ainda não aprenderam o tipo de jogo que agrada o público.
O reality de convivência é praticamente o único que realmente deu certo no Brasil, com destaque para o BBB. Por sua edição ágil e romanceada, muito próxima de uma novela, que tanto agrada os brasileiros, o programa acabou caindo nas graças do público. Não é o estouro do começo, mas ainda tem faturamento e repercussão enormes, que deixam concorrentes como A Fazenda (que peca demais na edição) comendo poeira.
Muito do sucesso do programa vem também da incapacidade de alguns participantes de assimilarem as edições anteriores e acabarem cometendo os mesmos erros daqueles que se deram mal. Nesta edição, podemos observar esse comportamento com o grupo da Selva. Os participantes Yuri, Ronaldo, Rafael, Monique e Renata chegaram se achando os donos do jogo. O problema não foi nem a combinação de votos em si, mas a postura agressiva e a ironia com que falam dos demais correntes. A turma da Praia, que começou morna, acordou para as artimanhas do grupo e finalmente se uniu, porém é uma união ainda sem muita força. Fabiana e Kelly continuam achando que estão em um parque de diversões. Enquanto as duas ainda não entenderam o jogo, o pessoal da Selva não se tocou de que a eliminação de Ronaldo representa uma rejeição às atitudes deles. E parece que vão continuar com a mesma postura, o que deve limar um a um (a não ser que consigam paredões praia versus praia).
É a incapacidade de leitura dos participantes, somada às mais diversas reações, apesar da similaridade dos perfis escolhidos ano a ano, que faz do Big Brother o assunto da vez. É um reality de convivência com uma pitada de ficção, cortesia dos editores, que se tornou a novela do verão. E como fazem com as novelas, tem sempre alguém dizendo que vai acabar. Mas a julgar pelos números da despedida de Ronaldo, o programa parece estar longe da eliminação.

