Em 2008, estreou nos Estados Unidos a série 90210, um spinoff de Beverly Hills, sucesso dos anos 90. A nova versão, exibida lá fora pelo canal The CW e aqui pelo Sony Spin, tinha tudo para dar errado. E deu. O principal problema foi a falta de carisma e química do par central, vivido por Shenae Grimes (Annie) e Dustin Milligan (Ethan). Sem um romance forte para ancorar a trama, nem o destaque das atrizes AnnaLyne McCord (Naomi) e Jessica Lowndes (Adrianna) foi capaz de salvar a série de ter uma das piores temporadas de estreia da história.
Ciente de que a trama precisava de uma boa sacudida, o canal contratou uma nova produtora executiva, Rebecca Sinclair, para a segunda temporada. Com experiência na co-produção de Gilmore Girls por três anos, a profissional conseguiu dar um rumo para a série. Os personagens ganharam profundidade, os diálogos ficaram melhores e a história passou a ter ritmo. Corajosamente, a direção eliminou Ethan (que poderia ter tido pelo menos uma despedida) e fez Annie passar por maus bocados para ganhar a simpatia no público. A série chegou ao ápice no terceiro ano, com uma trama madura e uniforme do começo ao fim. Eu arrisco dizer que foi uma das melhores temporadas entre as séries ditas adolescentes. Sem a popularidade de Gossip Girl, exibida pelo mesmo canal lá fora, 90210 conseguiu tornar-se superior à série que traz Serena e Blair como protagonistas.
Com o fim da terceira temporada, terminou também o contrato de Rebecca, e a The CW conseguiu perder aquela que levantou a série. O quarto ano, já em exibição no Sony Spin, teve 12 episódios levados ao ar nos EUA até o momento. A temporada, não há como negar, é inferior ao terceiro ano. Além das histórias perderem conteúdo ao diminuírem o foco nos conflitos internos, abrindo espaço para tramas como contrabando de carros, surgiram também personagens desnecessários, como Holly, rival de Naomi com o cansativo conflito entre patricinhas. Apesar dos problemas, 90210 continua sendo uma boa série dentro do universo adolescente, e com capacidade de agradar adultos também. Atores carismáticos e personagens queridos fazem com que o CEP mais famoso da TV ainda continue digno de ser frequentado.
Onde Assistir: Sony Spin. Toda segunda, às 21h.



● Agora que o episodio final de Grey’s Anatomy já foi oficialmente ao ar no Brasil, e que a não renovação de T.R. Knight, e a conseqüente saída de George, foi confirmada, gostaria de fazer algumas considerações. Por mais que a saída do personagem tenha sido uma vontade do ator, ele certamente merecia mais consideração na última temporada em que participou. Tenho a impressão que Knight expressou sua vontade no inicio da 5º temporada, o que fez a criadora Shonda Rhimes largar seu possível envolvimento com Lexie. Em entrevista após o final da temporada, a roteirista declarou que o pouco tempo de George em cena foi intencional, para que o público não sentisse sua falta na season finale e não desconfiasse que ela era o acidentado. Papo furado. Shonda, brilhante na condução de suas tramas, deveria ter tido mais consideração por uma personagem que já foi tão querido, e um dos protagonistas da história. Faltou generosidade. A primeira coisa que um roteirista tem que saber é que a criatura às vezes fica maior que o criador.




● Apesar dos percalços enfrentados, vale registrar que a 3º temporada de Ugly Betty terminou melhor do que começou. Inicialmente perdida em episódios que traziam fatos isolados, a série acabou deixando a disputa pela Mode um pouco de lado, ficando menos interessante. Percebendo o rumo que a coisa estava tomando, os produtores resolveram colocar a história na linha, e parece que pretendem devolver o cargo de vilã a Wilhelmina. Com a morte de Molly, e o término do namoro de Betty (ela só arruma mala!), o caminho pode estar aberto para um romance entre o chefe e sua secretária, como aconteceu em todas as outras versões da história, embora eu ache que nesse caso o feito seja praticamente impossível. Betty e Daniel desenvolveram uma relação fraternal, são quase irmãos. A jornada profissional na feia finalmente avançou e ela foi promovida, já estava mais do que na hora, até porque a série pode ter pouco chão pela frente. O programa, com audiência em queda, foi transferido para as noites de sexta-feira, o pior dia da TV americana. Se Betty conseguir voltar ao trilho, pode ainda ter muito caminho a seguir.
● Glória Perez, especialista em lidar com muitos personagens em diversos núcleos, em Caminho das Índias parece ter errado um pouco na mão. Alguns personagens fazem figuração e se perderam na história. Cissa Guimarães e Neuza Borges, por exemplo, aparecem vez ou outra, e o pior é que nem fazem diferença.
● Encerradas as temporadas, temos que fazer justiça com a belíssima season finale de Grey’s Anatomy. Depois de um início irregular, a série conseguiu dar a volta por cima e fechar o 5º ano com chave de ouro. Aproveitando os boatos de que Katherine Heigl e TR Knight desejavam sair da trama, a criadora deixou o destino dos 2 personagens em aberto. São cada vez mais fortes os rumores de que George deixará a história por causa da insatisfação do ator com seu personagem, e foi visível a pouca participação dele nesta temporada. Qualquer um deles, ou os 2, deixarão um buraco, já que fazem parte do elenco principal e da turma que chegou junto ao hospital. Aliás, acho muito difícil que os 2 morram. Ficaria mito pesada até para uma história dramática como Grey’s Anatomy. Além dessa provável baixa, o 6º ano de Grey’s começa com outra dificuldade: a gravidez de Ellen Pompeo, a Meredith. Até a alguns dias atrás, a roteirista Sonda Rhimes ainda não sabia o que fazer. Agora é torcer para que os obstáculos façam a trama crescer, e que o 6º ano em nada lembre os episódios vazios que iniciaram o 5º. Ah, e seja lá qual for o destino de Izzie, que Denny descanse em paz de uma vez por todas.
● A Fazenda começou mostrando que mistério não existe mesmo em se tratando de televisão. Os participantes do programa, que a Rede Record fez tanta questão de manter em sigilo, eram mesmo os da lista exaustivamente divulgada.
● Com uma temporada bem irregular, Gossip Girl chegou ao final deixando bons ganchos para o próximo ano: Georgina como companheira de quarto de Blair na faculdade (apesar do triste boato de que a atriz que interpreta a megera só vai ficar por 3 episódios); Serena atrás de seu pai; Lily e Rufus finalmente se casando, e o filho deles por perto; e o romance de Blair e Chuck, que finalmente se concretizou, na última cena da 2º temporada. Os dois foram o grande destaque do ano e mereceram a cena derradeira. Para a próxima temporada, Nate e Vanessa, que andaram bem apagadinhos, precisam ser mais bem trabalhados. Além disso, precisam devolver a Jenny sua boa forma. É na rebeldia que ela brilha.
● Aconteceu realmente a despedida da personagem Cristina, de Ugly Betty. Não que ela fará muita falta na história, mas quem acompanha a trama com fidelidade, fatalmente se emocionou um pouco com a saída da estilista que esteve ao lado da feia por três anos. Foi um momento bonito, envolvendo uma trama que, para a felicidade geral, parece ter devolvido Wilhelmina ao lado negro da força.
