
Durante muitos anos como a segunda maior emissora do país, o SBT amarga hoje a terceira colocação graças a uma série de decisões equivocadas de seu dono. Se a grade do canal como um todo já é bastante inconstante, seu núcleo de dramaturgia, se é que podemos chamar assim, sofre dobrado. A próxima novidade é o remake da novela Carrossel, sucesso do início dos anos noventa, que sem os cuidados necessários pode acabar se tornando uma escolinha de muito mal gosto.
Essa semana foi divulgado que a intérprete da professora Helena será a atriz Rosanne Mulholland, o que deixou muitos fãs da primeira versão da novela aliviados. Durante algum tempo, cogitou-se que protagonista seria Lívia Andrade, e que até Alexandre Frota teria um papel na trama. Nada contra Lívia, nem há material suficiente para avaliar seu talento, mas se as coisas continuassem por esse caminho não seria de se espantar que o corpo docente fosse composto também por Gretchen e Rita Cadillac. Professora Helena, que já foi ícone e que até hoje é lembrada com carinho por toda uma geração, necessita de uma atriz neutra, que seja vista como a personagem, e não pelo histórico de sua intérprete. A escolha de Rosanne se mostrou acertada, e Lívia acabou levando o papel de outra professora.
A estréia de Carrossel está prevista para março do ano que vem, abrindo uma nova fase na dramaturgia do SBT. A emissora vem há algum tempo tentando encontrar um diretor para a área, cheia de divergências, mas não é fácil achar alguém disposto a aceitar a árdua tarefa. Em um certo período, o canal parecia ter encontrado um caminho (Éramos Seis, As Pupilas do Senhor Reitor e Sangue do Meu Sangue, esta última mais complicada), porém qualquer novela mal sucedida era motivo para Silvio Santos acabar com o núcleo. Por muito tempo, houve aposta nas novelas mexicanas dubladas, e depois em adaptações, a maioria equivocadas, salvo raras exceções (como Amor e Ódio e Canavial das Paixões), o que marcou bastante a emissora. Isso, o didatismo histórico do começo, e a direção, que deixou a trama sem o clima dos anos 60, impedem hoje que Amor e Revolução faça sucesso. Com bastante repercussão pelas polêmicas, a audiência da novela não passa dos seis pontos. É o que a emissora deve impedir que aconteça com Carrossel: que as polêmicas sejam maiores que a sua história.
Se a escolha do remake foi uma decisão acertada, só o tempo dirá. O que já podemos dizer é que, do jeito que era, dificilmente Carrossel faria sucesso nos dias de hoje. A cabeça das crianças é outra, a tecnologia tem um papel fundamental na vida de todas elas, e a trama ficaria muito restrita sem um núcleo adulto mais forte. Iris Abravanel já anunciou que adaptações neste sentido estão sendo feitas, e agora é esperar para ver. Que a novela pelo menos seja exibida (a emissora tem arquivada Corações Feridos, inteira gravada desde o ano passado, mas sem previsão de ir ao ar), e que o SBT embarque nessa nova fase. A próxima trama pode ser Carrossel, mas hoje seu núcleo está mais para uma montanha-russa.