Arquivo do mês: junho 2009

A hora certa de dizer adeus

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Quando Nancy Botwin ficou viúva, e começou a vender maconha para sustentar os filhos, os comentários foram muitos. A trama de Weeds deu o que falar. Merecidamente. Com uma história original, interpretações mais do que corretas, e tiradas fantásticas, a série teve um início promissor. Atualmente em sua 5º temporada, é triste constatar que a história já passou da hora de chegar ao fim. O ápice da saga de Nancy aconteceu no final da 2º temporada, quando, acuada por vários traficantes, ela teve que suar para dar um jeito de sair da enrascada em que havia se metido. Pretendendo mudar a série de ares, a partir do 4º ano os personagens foram deslocados para uma cidadezinha na fronteira com o México, e foi aí que a coisa começou a desandar. Com alguns bons momentos, a história ficou longe de ser o que já fora um dia. Corre por aí que Mary Louise Parker não quer renovar para uma 6º temporada, e faz bem caso isso se confirme. É preciso saber a hora de terminar. Outra série que sofreu do mesmo mal foi The L Word. A trama poderia ter sido perfeitamente encerrada no 5º ano. Havia tempo hábil pra isso, eliminando o desnecessário mistério em torno da morte de Jenny e seu envolvimento com Shane, tramas da fraca 6º temporada. Prevista para durar 7 anos, Desperate Housewives pode chegar a 9. O criador da série, Marc Cherry já demonstrou disposição para que isso aconteça. Perigoso. A história já sofre desgastes, e muitas vezes é melhor durar menos, mas encerrar em um bom momento, ficando, assim, na memória dos telespectadores. Definitivamente é preciso saber a hora certa de terminar, mesmo que a despedida seja dolorosa.

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Coisa nova

AntonioFagundes

A próxima novela das 19hs começa a tomar forma. Bosco Brasil, em sua primeira trama solo na Globo, já escreve a todo vapor. Depois de um atraso muito grande para o início da pré-produção, motivado pela indecisão da Rede Globo, a trama tem estréia prevista para o começo de novembro. Data ruim, aliás. Já no horário de verão, época em que a audiência geralmente cai. A Globo deve adotar a tática do último ano, atrasando toda a sua programação.

No elenco, entre outros, confirmados Antonio Fagundes e Carolina Dieckman. Ele faz sua segunda novela no horário, seu retorno desde A Viagem. Já estava mais do que na hora. Esse revezamento é saudável, e permite que os atores não repitam autores e personagens. Parênteses aqui para elogiar a iniciativa da emissora de acabar com a reserva de atores. A panelinha só cresce com isso. Reynaldo Gianechini, por exemplo, já está reservado há uns 2 anos para a novela do Silvio de Abreu. A gente até enjoa da novela antes de começar.

O título da história do Bosco ainda não foi escolhido. Tudo menos o provisório Bom Dia Frankenstein. Isso até afasta o público. Independente de qualquer coisa, nos resta desejar muito sucesso para a trama do autor. A teledramaturgia está precisando de ar fresco. Bosco Brasil já tem muitos anos de estrada como colaborador, mas agora poderá mostrar o que é capaz de fazer sozinho.

Trinca de Ouro

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Com uma das melhores temporadas exibidas até o momento em 2009, Big Love se concretiza como uma das séries mais interessantes da atualidade. O mérito, além da história bem amarrada, acontece pela interpretação ímpar do trio feminino de protagonistas:

Ginnifer Goodwin
GINNIFERRR
Nasceu no dia 22 de maio de 1978 no Memphis, Tennessee, EUA.
É tida como uma das grandes apostas de Hollywood para os próximos anos. Em Big Love, interpreta a doce e espontânea Margene, que tem amadurecido ao longo dos anos. No cinema, teve grande destaque em Ele não está tão afim de você.

Chloë Sevigny
CLOEEEE
Nasceu no dia 18 de novembro de 1974, em Darien, Connecticut, EUA.
Chloë interpreta a temperamental e esquisita Nicky, a mais “crente” das três mulheres. Construiu sua carreira com uma série de filmes independentes, sempre muito elogiada pela crítica. Recebeu indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante por sua participação no drama Meninos Não Choram. É bastante ligada à moda, já trabalhou como consultora de uma importante grife de Nova York e faz muitos trabalhos como modelo.

Jeanne Tripplehorn
JEANNEEEE
Nasceu no dia 10 de junho de 1963, em Tulsa, Oklahoma, EUA.
Interpreta a esposa mais antiga, e a mais contida também. Barb está sempre tentando contemporizar, arrancando uma interpretação belíssima de Jeanne. A atriz já foi DJ e apresentadora, e já namorou o ator Ben Stiller. Atualmente é casada e tem um filho de 7 anos.

Um bom ano

cinema_se_eu_fosse_voce_2_600No segundo dia do ano, chegava aos cinemas o primeiro sucesso de 2009: Se Eu Fosse Você 2. O melhor final de semana de estréia. O filme mais visto desde a retomada (mais de 6 milhões de espectadores). Recorde de arrecadação da produção nacional. O filme de Daniel Filho foi cheio de superlativos desde seu primeiro dia nos cinemas.
A história protagonizada por Tony Ramos e Glória Pires ainda estava se despedindo das telas quando chegou Divã, uma comédia menos universal, que de mancinho foi conquistando o público e deve encerrar sua trajetória visto por aproximadamente 2 milhões de pessoas.
20_170-DivãO filme estrelado por Lilia Cabral ainda nem saiu dos cinemas, mas já cedeu lugar a um novo sucesso: A Mulher Invisível, de Cláudio Torres. Com Selton Mello e Luana Piovani no elenco, o longa, com apenas 2 semanas em cartaz, já está perto de ser visto por 1 milhão de pessoas. Com sucessos consecutivos, o ano de 2009 já ultrapassou a bilheteria do ano passado inteiro em apenas 6 meses, e em época de crise. Sem falar que ainda temos pela frente Os Normais 2. Detalhe que estamos falando apenas das comédias, já que dramas como Jean Charles e Lula, o Filho do Brasil não devem fazer feio.20_1559-A mulher invisívelSe apostar em histórias diversas, longe das favelas e do nordeste, já exaustivamente explorados, a “indústria” cinematográfica brasileira tem tudo pra fidelizar seu público. Em época de crise, dizem, as pessoas procuram se distrair com as comédias, o que já foi comprovado nos EUA. Aqui, acredito, o principal motivo não seja este, mas realmente um encontro do público brasileiro com o seu cinema. Se continuarmos com boas (e diversificadas) produções, podemos perpetuar a situação, formando uma indústria sem aspas, uma industria de verdade, com os mais variados gêneros e um público sem fim. 2009 está apenas na metade, e ainda temos muito pra rir (e chorar) nas salas de nossos cinemas.

Observação– O filme Divã venceu, neste final de semana, 7 dos 11 prêmios de longa-metragem de ficção da 13ª edição do Festival de Cinema Brasileiro de Miami: melhor filme, melhor filme júri popular, direção, melhor atriz, roteiro, direção de arte e montagem.

Aberturas rasuradas

Assim que começou a novela, eu fiz aqui um post sobre a troca de música na abertura de Paraíso. Fato raro, mas não único, como vamos relembrar agora:

Torre de Babel começou com um clima pesado e uma trilha instrumental na abertura. Com problemas de audiência, a trama foi suavizada, e a abertura ganhou uma música romântica na voz de Gal Costa. A primeira trilha tinha mais a ver com a história, mas não era marcante. A segunda também não era grande coisa e destoou um pouco das imagens e do clima pretendido.

América trocou não apenas de música, mas também de abertura. O novo vídeo ficou mais pra cima, e a música da abertura, com Ivete Sangalo, tirou a arrastada canção interior, que além de tudo lembrava a de Pantanal, já que também foi produzida por Marcus Viana. A nova abertura ficou mais com a cara de Miami, lugar onde se passava parte da história. É fato que Hans Donner já produziu coisas melhores, sem usar cenas da novela. No final das contas, a abertura ficou melhor. De drama, já bastava as choradeiras da Sol.

Nesse caso, não dá pra entender porque a música “A Padroeira” não foi usada desde o principio na novela homônima. Era a canção perfeita para a história, mas só foi para a abertura depois que a trama sofreu mudanças em busca de maior audiência.

Os Mais foi outro caso de abertura que começou com música instrumental e mudou para tocada. Eu acho que nesse caso ficou mais marcante e a troca foi válida.

Vila Madalena iniciava de forma inédita: sua abertura trocava todo dia. Os clips das músicas de sua trilha sonora se revesavam no ar. Péssima idéia. A novela acabou ficando sem identidade. Aqui vão dois exemplos:

bettygy6● Apesar dos percalços enfrentados, vale registrar que a 3º temporada de Ugly Betty terminou melhor do que começou. Inicialmente perdida em episódios que traziam fatos isolados, a série acabou deixando a disputa pela Mode um pouco de lado, ficando menos interessante. Percebendo o rumo que a coisa estava tomando, os produtores resolveram colocar a história na linha, e parece que pretendem devolver o cargo de vilã a Wilhelmina. Com a morte de Molly, e o término do namoro de Betty (ela só arruma mala!), o caminho pode estar aberto para um romance entre o chefe e sua secretária, como aconteceu em todas as outras versões da história, embora eu ache que nesse caso o feito seja praticamente impossível. Betty e Daniel desenvolveram uma relação fraternal, são quase irmãos. A jornada profissional na feia finalmente avançou e ela foi promovida, já estava mais do que na hora, até porque a série pode ter pouco chão pela frente. O programa, com audiência em queda, foi transferido para as noites de sexta-feira, o pior dia da TV americana. Se Betty conseguir voltar ao trilho, pode ainda ter muito caminho a seguir.

● Atrasos
Ainda estou no 6º episódio na 3º temporada de Big Love, mas uma coisa é certa: é a melhor temporada da série, infinitamente superior à anterior. A trama deixou de lado toda aquela complicação da comunidade, que teve muito destaque no 2º ano, e vem apostando nas relações familiares, que é o ponto alto da história.

Ainda não tive tempo, e boa vontade, para assistir os episódios extras de Prison Break, principalmente porque são extremamente desnecessários, mas verei porque acompanhei a história inteira.

● Falando em coisas desnecessárias… Será que a Rede Globo não tem mais reality show para inventar? Jogo Duro, que estreou no domingo depois do Fantástico, é um balaio do pior que já foi exibido nesse tipo de programa.

0,,14750811,00● Glória Perez, especialista em lidar com muitos personagens em diversos núcleos, em Caminho das Índias parece ter errado um pouco na mão. Alguns personagens fazem figuração e se perderam na história. Cissa Guimarães e Neuza Borges, por exemplo, aparecem vez ou outra, e o pior é que nem fazem diferença.

george-izzie-greys1● Encerradas as temporadas, temos que fazer justiça com a belíssima season finale de Grey’s Anatomy. Depois de um início irregular, a série conseguiu dar a volta por cima e fechar o 5º ano com chave de ouro. Aproveitando os boatos de que Katherine Heigl e TR Knight desejavam sair da trama, a criadora deixou o destino dos 2 personagens em aberto. São cada vez mais fortes os rumores de que George deixará a história por causa da insatisfação do ator com seu personagem, e foi visível a pouca participação dele nesta temporada. Qualquer um deles, ou os 2, deixarão um buraco, já que fazem parte do elenco principal e da turma que chegou junto ao hospital. Aliás, acho muito difícil que os 2 morram. Ficaria mito pesada até para uma história dramática como Grey’s Anatomy. Além dessa provável baixa, o 6º ano de Grey’s começa com outra dificuldade: a gravidez de Ellen Pompeo, a Meredith. Até a alguns dias atrás, a roteirista Sonda Rhimes ainda não sabia o que fazer. Agora é torcer para que os obstáculos façam a trama crescer, e que o 6º ano em nada lembre os episódios vazios que iniciaram o 5º. Ah, e seja lá qual for o destino de Izzie, que Denny descanse em paz de uma vez por todas.

● Embora a passagem de 5 anos tenha feito muito bem para Desperate Housewives, o criador Marc Cherry não soube segurar a peteca. Com um dos mistérios mais óbvios de todas as temporadas (a vingança de Dave), a história foi perdendo força e quase definhou nos episódios finais.
Um grande mal da série é lançar alguns temas no ar, começar a desenvolver a história e depois não levar adiante. É difícil prever o que vem por aí, já que nenhum gancho muito interessante foi deixado para a próxima temporada. A única certeza é de que Desperate precisa de tramas fortes, mistérios instigantes e uma reviravolta.
Da temporada que terminou, o destaque vai para o 100º episódio e para aquele em que Eddie se foi. Dentre as Desperates, o destaque absoluto vai para Gaby, dona das melhores histórias e da melhor risada.

a fazenda● A Fazenda começou mostrando que mistério não existe mesmo em se tratando de televisão. Os participantes do programa, que a Rede Record fez tanta questão de manter em sigilo, eram mesmo os da lista exaustivamente divulgada.
O primeiro programa exagerou nas apresentações de praxe e acabou se tornando cansativo, o que foi muito bom para a Rede Globo, que saiu vitoriosa na audiência.

● Depois de um começo sofrível, 90210 encerrou seu primeiro ano mostrando que nem tudo está perdido. A história ainda tem muito a melhorar, mas a comparação do 1º com o último episódio da temporada mostra que as coisas já evoluíram um pouco.
Os roteiristas parecem ter percebido que Annie não estava agradando e tudo indica que devem investir em uma versão mais rebelde da garota. A irmã de Naomi também foi uma boa pedida.
Ethan vai deixar a história, mas nada foi resolvido nesse sentido. Ele bem que podia levar Dixon, um personagem sem sal que só gasta tempo na tela à toa. Com participação inicialmente tímida, Adriana conseguiu espaço e terminou a temporada como uma grande personagem, embora esteja mais calma do que no começo. O que prejudica 90210 é que muitos personagens prometem momentos de rebeldia, mas acabam sempre bonzinhos.
A 2º temporada será importantíssima para a série. A audiência do 1º ano não foi das melhores, e o canal CW resolveu dar uma chance à série. Resta ver se ela saberá se reinventar.

● Coisa de novela. Tem sempre um médico que aparece para salvar uma criança e acaba conquistando a mãe dela…
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