Arquivo do mês: março 2011

Reinvenção involuntária

Chamar Tititi de remake chega a ser até uma injustiça. A novela foi uma reinvenção. Reinvenção da trama dos anos 80, reinvenção das novelas das 19hs e reinvenção do próprio gênero, o que é extremamente necessário no momento. Maria Adelaide Amaral pegou os principais elementos de Tititi e Plumas e Paetês e construiu uma terceira novela, totalmente diferente das outras. E melhor.

Tititi, com a direção acertadíssima de Jorge Fernando e uma escalação de elenco praticamente perfeita, foi ágil, moderna, e o mais importante: soube brincar consigo mesma (algo que não se via com tamanha eficácia desde Vamp). A autora Maria Adelaide Amaral soube ser popular sem ser popularesca e encheu o texto de referências pop e menções a outras novelas e programas, numa salada que não poderia ter saído melhor.

Alguns atores, que vinham de trabalhos apagados, como Isis Valverde em Caminho das Índias e Sophie Charlotte em Caras & Bocas, só para ficar em dois exemplos, conseguiram se sobressair, o que mostra que um ótimo texto bem dirigido levanta a bola de todos os envolvidos no projeto. Murilo Benicio e Alexandre Borges (caricato na medida certa, embora o estranhamento de alguns telespectadores) brilharam, mas a novela foi mesmo é de Claudia Raia e sua inesquecível Jaqueline.

A história teve ainda um detalhe que pode ter passado um pouco despercebido: foi a trama a melhor retratar a temática gay. Sem grandes traumas e sem forçar a barra, a história de Julinho foi conduzida com delicadeza e leveza, sem falar na parte caricata (Rony Pear, Adriano…), que nos entregou cenas memoráveis.

O último capítulo careceu de mais emoção (as cenas mais emocionantes já tinham acontecido nos dias anteriores – vide Malu Mader em uma de suas melhores cenas na TV, com Susana se despedindo de Ari) e de um pouquinho mais de alegria, mas fechou com chave de ouro a novela que deveria servir de inspiração para muitos autores daqui pra frente.

Anúncios