Arquivo do mês: janeiro 2012

Apanhado da Semana

Como eu estive fora por alguns dias, resolvi fazer um apanhado com alguns assuntos da semana. Aí vai:

O Video Game Verão pode até ter saído do ar antes do previsto, mas ele já vai embora tarde demais. Escalado para impulsionar a fraca audiência de Malhação, o programa, se dependesse da qualidade e da sensatez dos executivos da emissora, nunca deveria ter ido ao ar. Com provas sem graça e convidados mal selecionados, a “atração” pecou também pela produção pobre e pela apresentação, que nunca deveria ter saído das mãos de Angélica. O final da história já estava anunciado: o programa não pegou, não cumpriu a missão de ajudar Malhação, pelo contrário, e ainda causou constrangimento na emissora pelo resultado final. O Vídeo Show vai para o mesmo caminho. Sob as asas de Boninho, o programa foi descaracterizado, é apresentado através de um jogral entre André Marques e Ana Furtado, e conta com matérias cada vez mais irrelevantes. Dani Monteiro, cobrindo as férias de Geovanna Tominaga, contribui para fazer a receita desandar. Triste para um programa que já foi um dos guardiões da memória da nossa TV. Hoje é uma grande bobagem.

 

Brado Retumbante terminou sem conquistar a audiência que merecia. Com um texto irretocável, a minissérie contou com ótimas interpretações, Maria Fernanda Candido em seu melhor momento e a direção sempre correta de Ricardo Waddington. Política, se não for tratada de forma cômica, é um tema que raramente desperta grande interesse na teledramaturgia. A fotografia fria, embora muito justificável neste caso, sempre me incomoda um pouco na TV, mas é um detalhe perto da qualidade apresentada. Mostrando os bastidores do mandato de um presidente fictício, Brado Retumbante fez a lição de casa direitinho, mas nem sempre isso basta para fisgar o heterogêneo e complexo público televisivo.

 

Com Rei Davi, a Record conseguiu subir um degrau em relação às séries bíblicas apresentadas anteriormente, mas não ainda para justificar a aposta nestes temas. Algumas caracterizações e efeitos incomodam, e os diálogos poderiam ser um pouco melhor trabalhados. É realmente difícil entender tanto gasto neste momento da emissora em um produto que, dada a complexidade da produção, sempre ficará aquém do necessário em determinado aspectos, como na aparência dos atores. Os números mostram que, apesar dos pesares, o produto foi aprovado, e os temas bíblicos sempre têm o seu público. Vale pela boa intenção da Record e pela aposta em produtos especiais, que é sempre importante.

 

Páginas da Vida foi mais uma vez vetada na reprise do Vale a Pena Ver de Novo. Até aí nenhuma surpresa, e já era até óbvio. Se a abertura de Mulheres de Areia precisou ser modificada, o que esperar da trama na qual uma avó recusa a neta com Síndrome de Down? A Rede Globo foi muito otimista em tentar exibir a novela. No lugar da obra de Manoel Carlos, está confirmada, segundo alguns veículos, a segunda reprise de Chocolate com Pimenta, de Walcyr Carrasco. A história é boa e tem muitas qualidades, mas nada que justifique uma segunda exibição. Com um cardápio enorme de tramas para serem levadas ao ar, a emissora mostra mais uma vez que a escolha das novelas do Vale a Pena é feita de uma forma bem peculiar, e que é melhor nem tentar entender.

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Record ataca concorrente e esquece os próprios problemas

O Domingo Espetacular, da Record, está virando especialista em atacar a Rede Globo. Já foram várias as reportagens em que o jornalístico promoveu “denúncias” conta a emissora carioca. Neste domingo, a bola da vez foi o suposto estupro ocorrido no Big Brother Brasil 12. Tudo bem que a emissora aborde o tema, a própria Rede Globo falou sobre o acontecimento no Jornal Nacional, mas a forma com que a Record mostrou o assunto esteve longe do jornalismo sério, apostando no ataque gratuito. Ao exibir matérias tão tendenciosas, a Record vai contra sua própria atração e o seu jornalismo. O programa pode ter atingido altos índices de audiência, mas  é aos poucos que a emissora vai afastando a credibilidade para longe.
Com o SBT em sua cola, a Record tem vários assuntos importantes para resolver, e com os quais deveria se ocupar ao invés de ficar atacando gratuitamente as concorrentes. Vamos a quatro deles:

– Reformular o Jornal da Record, que sofre com baixos índices de audiência.
– Organizar a produção de suas novelas. Ribeirão do Tempo ficou um ano no ar e Vidas em Jogo, caso o programado seja seguido, será exibida por 11 meses.
– Arrumar sua grade vespertina, que hoje praticamente não existe.
– Repaginar a próxima edição de A Fazenda, com ênfase na edição.

Cinco pontos positivos de Aquele Beijo

A audiência de Fina Estampa está nas alturas e o texto de A Vida da Gente tem sua qualidade reconhecida pelo público, mas é a pouco falada novela das sete que tem me feito passar mais tempo na frente da televisão. Sem nenhuma trama mirabolante, Aquele Beijo, de Miguel Falabella, tem suas qualidades. Confira cinco pontos de destaque da história:

1 – O texto costuma ser um dos diferencias das tramas de Miguel Falabella. O autor consegue alternar diálogos escrachados com conversas casuais, e ainda cenas românticas que, apesar de parecerem exageradas, caem como uma luva em seu universo. Em Aquele Beijo, Falabella aposta alto na comédia romântica típica dos filmes americanos, mas com um tempero brasileiro. O que move todos os personagens da novela é a insatisfação: é a mãe que deixa o filho com o marido para trabalhar em uma grande loja, a mulher que transfere para a filha o sonho de ser miss, a miserável que toma o lugar de uma morta para viver bem, o empresário que se arrepende de sues crimes e se apaixona por uma mulher humilde, entre outras tramas.

2 – Cininha de Paula está se saindo bem em sua estreia na direção geral de uma novela. Com a ajuda de Roberto Talma, a diretora conseguiu imprimir um clima leve à trama, mas sem deixar a história com cara infantil.

3 – A narração de Miguel Falabella dá um charme especial para a história. Ela aumenta a cumplicidade e o olhar do público para momentos que poderiam passar mais despercebidos. As citações podem diminuir um pouquinho, aumentanto a aposta nas reflexões próprias.

4 – Interpretando a protagonista Cláudia, Giovanna Antonelli consagra-se definitivamente como uma de nossas melhores atrizes para comédias românticas, se não a melhor. Antonelli transmite naturalidade e simpatia, e faz uma Cláudia humana e deliciosamente confusa. Está há anos-luz de Ricardo Pereira, Grazi Massafera (que neste trabalho mostra sua grande evolução na carreira) e Victor Pecoraro.

5 – Assumidamente brega, a trilha sonora de Aquele Beijo resgata as músicas românticas que ficam grudadas na cabeça e que condizem perfeitamente com o clima da novela. Os destaques são “Exato Momento”, de Zé Ricardo e tema de Cláudia e Vicente, e “Maior que eu, de Michael Sullivan e tema de Alberto e Sarita.

SBT estreia novela no piloto automático

Depois de mais de um ano engavetada, a novela Corações Feridos finalmente estreou no SBT. E finalmente também nós tivemos a oportunidade de entender porque ela ficou tanto tempo guardada. A novela tem problemas de áudio em algumas cenas e, principalmente, de direção. O primeiro capítulo não transmitiu emoção alguma, e Iris Abravanel, apesar de ter melhorado um pouquinho desde a sua estreia em Revelação, mostrou que ainda precisa estruturar melhor suas tramas.

Se fizermos um clipe com cenas das últimas novelas dirigidas por Del Rangel no SBT, certamente não conseguiremos distinguir qual cena pertence a qual trama, culpa de uma direção preguiçosa e chapada. O acidente com o personagem de Paulo Zulu, importante para o desenrolar da história, não conseguiu mover um músculo dos telespectadores, assim como também aconteceu com os personagens em cena. Só faltou pegarem uma pipoquinha para assistir a tragédia. Entre os protagonistas, Cynthia Falabella deve levar a novela nas costas. Os demais ainda estão bem crus, e se levarmos em conta a eficiência da direção, não devemos esperar evolução nenhuma até o final da trama.

Fazendo uma força para enxergar o lado bom dessa história: Corações Feridos tem uma fotografia bem cuidada, principalmente nas externas, e um abertura bem feitinha, se ignorarmos a música tema. A novela estreou em quarto lugar, com três pontos de audiência, e o pior de tudo é saber que os erros ficarão sem concerto. Com seus 100 capítulos inteiramente gravados, a trama deve causar ferimento é na média da audiência noturna do SBT, a não ser que alguma santa mexicana proteja a novela e um milagre aconteça.

BBB tem suposto estupro mas o agredido é o público

Primeiro, o Big Brother Brasil levou ao ar as cenas do suposto sexo sem consentimento entre Daniel e Monique sem problema algum. A edição do programa ainda tratou de florear o acontecimento, como costuma fazer com casais que se formam dentro do reality, e que sempre rendem assunto e pontos de audiência. Só que a direção não contava com as manifestações nas redes sociais, e muito menos com a chegada de investigadores da 32ª DP do Rio de Janeiro para apurar o ocorrido. Resultado: no programa desta segunda, o discurso foi outro. Bial, o mesmo que havia achado graça dos acontecimentos da noite da festa, anunciou que o participante Daniel estava eliminado por “conduta imprópria”. Só isso. Mais nada. A direção não deu nenhuma satisfação ao telespectador, não mostrou o participante saindo e muito menos a repercussão entre seus colegas de confinamento. Uma tremenda falta de respeito com o público que acompanha o programa, que tem cada vez menos de reality e mais de show. Com esta conduta, o diretor do programa e a emissora enganaram os telespectadores duas vezes: primeiro ao dizerem que estavam investigando o suposto “estupro” desde domingo, o que é claramente uma mentira, e depois ao não exibir o desdobramento da expulsão dentro da casa. Se o suposto estupro aconteceu ou não, se ela estava ciente do que acontecia ou não, é caso para a polícia. Literalmente. A questão é o “fazer de conta que nada aconteceu” e o programa continuar como se Daniel nunca tivesse existido. Há muito tempo que o Big Brother já perdeu o mínimo de espontaneidade que tinha nos primeiros anos, mas mascarar a realidade desse jeito é passar dos limites. Nem os piores “vilões” que já estiveram no programa seriam capazes de tamanha desfaçatez.

 

Dercy de Verdade vai além da biografia e termina como bela homenagem

Chegou ao fim Dercy de Verdade, mais um belíssimo texto de Maria Adelaide Amaral, dirigido por Jorge Fernando, a pessoa certa para retratar a irreverência de Dercy Gonçalves. O diretor não conseguiu imprimir seu estilo com a força que fez em Tititi, mas isso não diminui os méritos na minissérie. Dercy de Verdade, aliás, foi mais do que uma minissérie, foi uma das mais belas homenagens já feitas na televisão.

A autora não apenas retratou a vida de Dercy, fez dela a  protagonista absoluta, com direito a nome em primeiro lugar nos créditos da abertura, algo inédito e justo. As cenas reais de  Dercy no meio da história criaram um recorte interessante, que engrandeceu a obra, ao invés de gerar comparações com as intérpretes.

Heloisa Périssé e Fafy Siqueira conseguiram mostrar que não são apenas comediantes, são grandes atrizes. Heloísa deixou claro que tem futuro promissor na teledramaturgia do canal, já Fafy levou para a personagem alguns vícios da imitação que faz de Dercy, mas provou que segura bem cenas mais fortes. Não dá para condenar as atrizes por alguns exageros, já que era uma das caracteristicas da retratada.

Um dos poucos problemas da minissérie foi a trilha, que merecia acordes inéditos, e não uma reciclagem de Chocolate com Pimenta. Tivesse seguido a ideia da abertura , com uma instrumental de “A perereca da vizinha”, tão cantada por Dercy, a produção teria mais personalidade neste quesito.

Maria Adelaide ficou devendo mais dos últimos anos de Dercy, como ela vivia perto dos cem anos e as dificuldades pelas quais passou. Alguns momentos da vida da homenageada ficaram sem profundidade, e talvez para isso fosse preciso mais alguns capítulos . Nada que tire a grandeza da homenagem como um todo, um recorte que mostrou que além de uma senhora que se promovia falando palavrão, Dercy era uma puta atriz.

BBB retorna com eterna sensação de déjà vu

Assistir a estreia da nova edição do BBB me deu a sensação de já ter visto aquilo outras 11 vezes. E o problema é justamente esse: apesar de mudanças pontuais, reforma da casa e introdução de novos elementos, há 11 anos assistimos o mesmo programa, com basicamente as mesmas pessoas.  Esse ano, até a primeira prova do líder do BBB1, com todos os participantes dentro de um carro, foi resgatada, o que aumentou essa sensação de déjà vu.

Ainda é cedo para falar de participantes preferidos, mas já dá para comentar um dos mais polêmicos: o apresentador Pedro Bial. Único elo dos concorrentes com o lado de cá, ele é importante para o jogo, afaga e provoca, mas também fala muita besteira. Na estreia, o jornalista invocou Chacrinha, que a essa hora já deve ter se revirado em seu túmulo. Fosse um dos personagens daquelas constrangedoras vinhetas que apresentou os participantes, Pedro Bial seria o coroa descolado. Pelo menos neste quesito, o BBB teve um mérito: assumiu os concorrentes como tipos pré-determinados. E não podemos deixar de ressaltar o ponto que faz do programa o reality mais amado e odiado do país: a qualidade de sua edição.  Tendenciosa muitas vezes, mas ágil e moderna. É aí que, apesar de todos os pesares, o Big Brother se torna o programa oficial do verão. Mesmo  indo constantemente para o paredão na opinião de muita gente, o BBB sempre retorna.