Arquivo do mês: fevereiro 2012

Eliminação de Ronaldo mostra que BBB ainda desperta paixões

Após 11 edições exibidas, supunha-se que o público do Big Brother Brasil não teria mais entusiasmo para vibrar por participantes com a força que torceu em edições passadas, como na quinta e na sétima, por exemplo. Engano. Pode não ser a mesma força de outrora, mas a eliminação do participante Ronaldo, com 81% dos quase 40 milhões dos votos, mostrou que os telespectadores ainda vestem a camisa de seus concorrentes preferidos. A décima segunda edição aponta também que os participantes podem ter perdido muito da naturalidade, até pela seleção que Boninho vem fazendo, mas ainda não aprenderam o tipo de jogo que agrada o público.

O reality de convivência é praticamente o único que realmente deu certo no Brasil, com destaque para o BBB. Por sua edição ágil e romanceada, muito próxima de uma novela, que tanto agrada os brasileiros, o programa acabou caindo nas graças do público.  Não é o estouro do começo, mas ainda tem faturamento e repercussão enormes, que deixam concorrentes como A Fazenda (que peca demais na edição) comendo poeira.

Muito do sucesso do programa vem também da incapacidade de alguns participantes de assimilarem as edições anteriores e acabarem cometendo os mesmos erros daqueles que se deram mal. Nesta edição, podemos observar esse comportamento com o grupo da Selva. Os participantes Yuri, Ronaldo, Rafael, Monique e Renata chegaram se achando os donos do jogo. O problema não foi nem a combinação de votos em si, mas a postura agressiva e a ironia com que falam dos demais correntes. A turma da Praia, que começou morna, acordou para as artimanhas do grupo e finalmente se uniu, porém é uma união ainda sem muita força. Fabiana e Kelly continuam achando que estão em um parque de diversões. Enquanto as duas ainda não entenderam o jogo, o pessoal da Selva não se tocou de que a eliminação de Ronaldo representa uma rejeição às atitudes deles.  E parece que vão continuar com a mesma postura, o que deve limar um a um (a não ser que consigam paredões praia versus praia).

É a incapacidade de leitura dos participantes, somada às mais diversas reações, apesar da similaridade dos perfis escolhidos ano a ano, que faz do Big Brother o assunto da vez. É um reality de convivência com uma pitada de ficção, cortesia dos editores, que se tornou a novela do verão. E como fazem com as novelas, tem sempre alguém dizendo que vai acabar. Mas a julgar pelos números da despedida de Ronaldo, o programa parece estar longe da eliminação.

 

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Fina Estampa perde foco de sua trama central

A história seria sobre uma mulher pobre que enriquece e discutiria a questão aparência versus caráter, mas o que vemos hoje é a trama de uma mulher com um segredo que quer acabar com a família de sua maior rival. Em Fina Estampa, Tereza Cristina (Christiane Torloni) já tentou matar Amália (Sophie Charlotte), Quinzé (Malvino Salvador), agora partiu para cima de Antenor (Caio Castro) e sua próxima vitima será Quinzinho (Gabriel Pelícia). Apesar de todo o sucesso, motivado pelo calor e pela popularidade que suas antecessoras não tiveram, a novela de Aguinaldo Silva foge bastante de sua proposta original.

Griselda (Lilia Cabral), que começou a trama encantando os telespectadores com seu caráter e sua garra, perdeu força para o segredo da vilã, que acabou se tornando o ponto central da história. Hoje toda a novela gira em torno de Tereza Cristina escondendo seu passado e tentando matar a família da faz-tudo.

Com o sucesso de Crô (Marcelo Serrado) e o romance morno entre Griselda e René (Dalton Vigh), não seria errado o autor turbinar o núcleo da vilã, mas ao fazer disso o fio condutor da novela, ele descaracterizou sua trama central e diminuiu a importância de sua heroína, que fizera tanto sucesso anteriormente. Aguinaldo Silva pecou ao afastar a personagem de Lilia do português Guaracy (Paulo Rocha), com quem ela tinha grande entrosamento nas cenas cômicas.

Vários núcleos de Fina Estampa também sofrem do mal do esvaziamento. Ao apostar na química entre Crô e Baltazar (Alexandre Nero), o novelista acabou tirando espaço de Celeste (Dira Paes) e de sua filha Solange (Carol Macedo). A trama de Zuleika (Juliana Knust) na Fashion Motors não engrenou, Paulo (Dan Stulbach) e Vanessa (Milena Toscano) não têm importância nenhuma para a história, e atrizes como Arlete Salles e Renata Sorah são desperdiçadas. A primeira faz escada para a personagem de Tânia Khalil, e Sorah está em uma trama que demorou demais para esquentar, e ainda está em banho-maria.

Se erra na condução de algumas tramas, Fina Estampa acerta ao não se levar a sério, e com isso tem conquistado o público. Mas não é sobre a sorte de uma certa bigoduda que essa grande audiência há de se lembrar. Griselda pode ter ganhado na loteria, porém seu maior drama não tem sido como lidar com o dinheiro,  mas como livrar sua família da morte.