Arquivo do mês: janeiro 2013

José do Egito mostra que Record sabe produzir bem quando quer

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A Record estreou José do Egito,  sua nova minissérie bíblica, filão que vem rendendo uma boa audiência para a emissora. Os números que as produções anteriores apresentaram resultaram em um investimento crescente, visível na obra que acaba de começar.

José do Egito tem uma fotografia impecável e uma boa produção, superior a de Rei Davi, que já tinha sido caprichada. Fora uma cena ou outra meio “Salve Jorge na Turquia”, tudo teve um cuidado bem maior do que aquele que as novelas da casa recebem.

O tema religioso, que espanta certa parcela do público, serve também como chamariz para outra parte. Um ponto que pode causar estranhamento é ver atores brasileiros caracterizados para a produção, mas este trabalho já está quase hollywodiano se for comparado ao da primeira minissérie bíblica produzida pela Record, A História de Ester.

O primeiro capítulo foi interessante, embora sem grandes movimentações, e José, por enquanto, foi coadjuvante. O destaque ficou para Marcela Barrozo e sua Diná. Ricky Tavares ainda terá chance de mostrar que sua escalação foi acertada, já que fez um belo trabalho em Vidas em Jogo e chegou ao posto por merecimento.

José do Egito mostra que a Record sabe fazer produtos de qualidade, basta investimento certo. Talvez seja o caso de começar a dividir a verba para que todas as produções tenham um bom padrão. José, certamente, não se oporia a esta boa ação.

A Fazenda de Verão chega ao fim com cara de inverno

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Criada com o objetivo de conquistar o público do Big Brother, a Fazenda de Verão não conseguiu prender nem aqueles telespectadores que assistem a versão do reality com celebridades. A culpa, em grande parte, foi da falta de estratégia da emissora, que preparou um programa às pressas, sem a produção adequada e com a estreia em um horário ingrato, batendo de frente com a novela das nove da Globo, Avenida Brasil, na época.

Apenas o confronto com uma das novelas de maior repercussão dos últimos tempos já seria uma estratégia kamikaze, mas o programa estreou ainda com aquela cara de improviso, parecendo que a emissora apenas tinha colocado uns objetos coloridos na fazenda para mostrar que a estação era outra.  O elenco não fez feio, embora tenha causado um estranhamento inicial pelo acúmulo de tipos barraqueiros, e teria se destacado em um reality com dinâmica mais competitiva, como o BBB. Alguns tipos escolhidos batem de dez a zero em certos participantes selecionados por Boninho.

A Fazenda de Verão serviu, pelo menos, para que os editores do programa pudessem avançar um pouco na qualidade e para que a direção enxergasse que Britto Junior não é o apresentador ideal para este tipo de produção, embora eu ache que Rodrigo Faro também esteja longe de sê-lo. Este, pelo menos, consegue deixar o reality mais leve e ágil e deve continuar na versão com celebridades, uma decisão acertada da emissora.

Com a vencedora  praticamente definida desde o início do programa (Angelis foi adotada pelo público depois de ter quase a casa inteira contra ela), a produção se viu ainda com outro problema: o romance da preferida com uma mulher, Manoella. Com a batata quente nas mãos, a Record jogou mal: cortou algumas cenas (não necessariamente de beijo ou pegação) que comprometeram o entendimento, e a análise, de quem não acompanha além da TV.  Talvez tenha sido um pouco tradicional no começo do romance para um público que é muito mais moderno do que o do BBB, por exemplo, que tem mais donas de casas entre seus votantes. Perto do final, a emissora foi se ajustando e, na eliminação de Manoella, o apresentador chegou a perguntar como ficaria o romance aqui fora. É realmente difícil tentar esconder a realidade em um programa que traz esta palavra em sua definição.

Uma próxima edição com anônimos ainda é incerta, mas as lições a serem tiradas são muitas. A principal delas é uma que a Record vem esquecendo nos últimos tempos: a importância do planejamento. Dessa vez,  A Fazenda pode ter sido de verão, mas os índices de audiência ficaram aquém do esperado e a repercussão esteve próxima de zero grau. Mais gelada, impossível.

5 motivos para o sucesso de Rainha da Sucata ontem e hoje

A reprise de Rainha da Sucata no Viva mal começou e a novela já é destaque nas redes sociais, o que também aconteceu quando Vale Tudo teve reexibição no mesmo canal e horário (00h15). A trama de Sílvio de Abreu já esteve algumas vezes entre os dez assuntos mais comentados do Twitter no Brasil. A produção marcou época e também foi marcada pela época, auge da lambada, ritmo representado na inesquecível abertura. Confira cinco motivos que fazem a produção voltar a ser vista e comentada cerca de 23 anos após a sua exibição original.

 1 – Regina Duarte e sua Maria do Carmo

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A heroína da história está longe de ser uma daquelas sofredoras que são enganadas facilmente. Maria do Carmo vai à luta, em interpretação forte e irretocável de Regina Duarte, que dá um show do começo ao fim da novela, tanto nas cenas em que a protagonista é guerreira como também nas sequências românticas.

2 – O núcleo cômico

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Mestre das novelas das sete, Sílvio de Abreu levou seu humor único para o horário das oito. Seus tipos populares caíram nas graças do público, que foi presenteado com a estreia de Marisa Orth e sua Nicinha, seu melhor papel em novelas até hoje; o inesquecível casal formado por Cláudia Raia, antológica, e Antônio Fagundes, em raríssimo momento de comédia; e ainda Aracy Balabanian como Dona Armênia, o papel de sua vida, que depois voltaria em Deus nos Acuda, novela seguinte de Sílvio de Abreu.

 3 – A abertura e a trilha sonora

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Uma das melhores aberturas de novela tem um casamento perfeito com a música “Me chama que eu vou”, de Sidney Magal. A vinheta é uma das mais lembradas pelo público e deu todo um clima à história. A trilha sonora é um destaque a parte, com canções inesquecíveis como “Foi Assim”, de Vanderléia, tema de Maria do Carmo com Edu (Tony Ramos), e Coração Pirata, do Roupa Nova, que também embalou a protagonista.

 4 – Uma vilã inesquecível

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Laurinha Figueroa, interpretada por uma Glória Menezes charmosa e antipática na medida certa, foi a grande vilã da carreira da atriz, e uma das maiores da história das novelas. O final imortalizou Laurinha, com uma das cenas mais faladas da TV.

 5 – O melodrama bem costurado

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A trajetória de Maria do Carmo, e a história policial que vai se formando,  levam Rainha da Sucata a ser um melodrama assumido e muito bem estruturado. Sem grandes invenções, o autor conseguiu segurar o púbico, evitando deixar a novela pra baixo. Novelão tradicional dos melhores.

Salve Jorge perde grande oportunidade

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Salve Jorge teve essa semana sua chance de ouro. A morte de Jéssica (Carolina Dieckmann), falada desde a estreia da novela, era a oportunidade certa para a trama dar a virada que estava precisando. O acontecimento realmente fez os índices subirem, e a tendência é que fiquem um pouco maiores do que estavam até agora, mas a execução não foi das melhores. A novela, além de maior audiência, precisa também de uma turbinada na trama.

A direção até teve a intenção de criar um clima, principalmente com aquela água pingando, mas a situação como um todo não ajudou muito. É óbvio que toda história tem aqueles momentos em que dizemos que é “coisa de novela”, mas um certo limite é fundamental, dependendo, principalmente, da história que está sendo contada.

Morena (Nanda Costa) não dizer a verdade nem para a mãe e nem para o seu amado, mas ir falar com uma desconhecida; o fato da vilã da história andar por aí com uma seringa já prontinha (precisando justificar isso em outra cena); além de matar alguém em um lugar público, diminuíram o importante acontecimento. Outros fatos contribuíram, como Lívia (Cláudia Raia), ao invés de sair quieta do banheiro, chamar a atenção do faxineiro, e a andança das traficadas pra lá e pra cá no local do evento.

Para fechar essa fase com chave de ouro, o capítulo de hoje terminou com Morena jurando vingança para o fantasma de Jéssica, uma cena desnecessária e que fugiu totalmente do clima da novela. O que era pra ser comovente, ficou mais parecendo a despedida de um romance lésbico. Qualquer dia é bem capaz de São Jorge realmente aparecer montado em seu cavalo. Talvez só ele coloque a novela no rumo certo.

O que esperar das próximas novelas da Globo

Com as audiências das atuais novelas distantes da meta, a Rede Globo, e o público, guardam suas esperanças para as próximas. Baseado nos históricos dos envolvidos nas produções, confira o que esperar, e o que não esperar, das futuras estreias.

Próxima das seis: Flor do Caribe, com autoria de Walther Negrão e direção de Jayme Monjardim, a novela promete ser uma nova Tropicaliente, do mesmo autor. Com previsão de estreia para março, a novela conta a história de amor entre Cassiano (Henri Castelli) e Ester (Grazi Massafera), dois jovens que se conheceram na infância, na fictícia Vila dos Ventos. Ela é guia turística que faz passeios de bugre pelas praias do lugar e ele é um piloto de caça da Aeronáutica. O par, porém, sofrerá com as armações de  Alberto (Igor Rickli), que também cresceu com os dois, e fará de tudo para conquistar Ester.

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Prós: Negrão é um dos autores que melhor sabe escrever para o horário e foi responsável por grandes sucessos. A faixa está mesmo precisando de um trama solar, que conquiste os jovens e cause alguma repercussão.

Contras: A direção de Jayme Monjardim pode deixar lenta uma trama que precisa ser dinâmica e ensolarada, como foi Tropicaliente. O romance quente dos protagonistas pode ter como pano de fundo um céu roxo ou um sol mais laranja do que necessário.

Próxima das sete: Sangue Bom, de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari com direção de Denis Carvalho. Prevista para começar em abril, a novela vai girar em torno da diferença entre “ter e ser”. Amora (Sophie Charlotte)“tem” e Beto (Marco Pigossi) “é”. Ela é uma jovem que adora fazer compras e que vai acabar virando a apresentadora de um programa sobre celebridades, substituindo Lara Keller (Maria Helena Chira), que entrará de licença.

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Prós: A autora foi responsável por Tititi, uma das melhores novelas das sete dos últimos tempos, e promete voltar com o mesmo clima. Não precisa de mais nada.

Contras: Dennis Carvalho não dirige comédia como Jorge Fernando e os protagonistas são Sophie Charlotte e Marco Pigossi, que não são ruins, mas estão um pouco crus para a função.

Próxima das oito: Em Nome do Pai ou Em Nome do Filho. Amém. Seja qual for o nome da novela, ela será escrita por Walcyr Carrasco e terá a direção geral de Wolf Maya. Ainda não há muita coisa definida, nem o título, na trama prevista para começar em maio. O que parece certo é que dois irmãos, interpretados por Paola Oliveira e Mateus Solano, vão disputar a administração do hospital do pai, vivido por Antônio Fafundes. A personagem de Paola ainda sofrerá com o desaparecimento de um filho ou uma filha e acabará se apaixonando pelo homem que adotou a criança.

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Prós: Estreante às nove, Walcyr levará o seu estilo e um novo universo para o horário.

Contras: Estreante às nove, Walcyr levará o seu estilo e um novo universo para o horário. Ah, e as escalações de Wolf Maya nunca são das melhores

Técnicos fazem papel da emissora e divulgam ex-participantes do The Voice

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As comemorações do dia do Senhor do Bonfim, em Salvador, esse ano contaram com um presença especial: Ju Moraes, uma das finalistas da primeira edição do The Voice Brasil. A participante foi a convite de Carlinhos Brown, que, em outras oportunidades, já teve a parceria de diversos cantores que passaram pelo programa. Ju Moraes cantará também no carnaval com sua mentora na atração, Claudia Leitte, que, na semana passada, dividiu uma música com Thalita Pertuzatti, outra finalista, em um show no Rio de Janeiro. Enquanto os técnicos do reality, e até outros cantores, fazem de tudo para divulgar e dar oportunidade aos artistas, a emissora que exibiu o The Voice dá pouco espaço a eles, perdendo o momento de ebulição pós-programa.

Uma das maiores dificuldades de emplacar esse tipo do reality no Brasil é o “preconceito” que os participantes sofrem das emissoras que não exibiram o programa. Com este entrave, eles, na maioria das vezes, ficam limitados à rede que os lançaram. O problema torna-se ainda maior quando nem essa emissora dá o espaço necessário para que eles possam divulgar suas músicas.

A Globo já cometeu o mesmo erro com o Fama, programa cujos finalistas não emplacaram uma carreira de sucesso e seus CD`s mal foram divulgados. Os participantes que se deram bem, como Thiaguinho e Roberta Sá, do Fama Bis, conseguiram por méritos próprios, alguns anos depois. Marina Elali e Ivo Pessoa, do Fama 3, que tiveram inúmeras músicas em trilhas de novelas, foram casos raros em que a emissora abriu um certo espaço.

O burburinho pós-programa, quando as torcidas ainda estão em polvorosa, é o momento certo para a divulgação do trabalho dos participantes. É agora que, pelo menos os finalistas, deveriam circular pelos programas da emissora. O movimento, dessa vez, parece estar diferente pelo menos fora dela. Os técnicos se tocaram de que divulgar os participantes é divulgar também a atração. E, com isso, todos saem ganhando.

BBB 13 perde protagonistas na primeira semana

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O programa mais condenado e criticado da TV brasileira voltou pela décima terceira vez e, embora não tenha a audiência de outrora, ainda é dono da maior repercussão nas redes sociais todos os anos. É muito cedo para julgar esta edição, mas, nestes poucos dias, já tivemos mais acontecimentos do que no BBB6 inteiro. Tivemos, inclusive, a saída de seus protagonistas, o que pode ser o ponto de partida para a construção de uma outra história ou para o marasmo total.

O primeiro a abandonar o barco foi Kleber Bambam, vencedor da primeira edição, que estava capitalizando grande parte das atenções. Com o mesmo jeito espontâneo de sempre, o participante voltou mais espertinho e pulou de uma roubada que poderia destruir a imagem que conseguiu na companhia da boneca Maria Eugênia. Risco que os outros ex-participantes também correm, principalmente Dhomini, um dos melhores jogadores de todas as edições, que conta novamente com uma ajudinha da edição, como pudemos observar no programa de hoje.

A outra protagonista, Aline, foi a participante mais citada e discutida na internet até agora, e a atenção que despertou por seu jeito explosivo trouxe junto uma grande rejeição, que a levou a ser a primeira eliminada. O paredão foi dela com ela mesma. Perdeu a barraqueira em detrimento à grande atração que era para o programa de entretenimento que é o reality. O público que vota no BBB é implacável, vota com paixão, e geralmente esquece que personagens como a eliminada são necessárias para movimentar os quase três meses da atração.

De resto, está tudo lá: a edição super caprichada, mas tendenciosa até não poder mais; o discurso sem pé nem cabeça de Bial, que há alguns anos faz o gênero ‘velho assanhado e sem noção’; as provas do líder confusas e mal feitas; os merchans que já sabemos de cor; e uma produção que, não à toa, faz do BBB o reality mais longínquo do país. Amado e odiado na mesma proporção, e por isso mesmo assunto obrigatório de todo começo de ano, o Big Brother parece ser “brindado” contra qualquer coisa que abale seu sucesso. Vamos ver se desta vez, sem os seus protagonistas já na primeira semana, a sorte será a mesma.

Mulheres Ricas tem segunda temporada mais “pobrinha”

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Quando estreou, no começo do ano passado, Mulheres Ricas causou certo estranhamento por trazer uma realidade exagerada na maquiagem. Algumas situações fakes do reality show, combinadas com o luxo ostensivo para um país como o Brasil, poderiam sofrer rejeição do público, mas aconteceu o contrário: aos poucos, o elenco foi conquistando o telespectador, que fez do programa um sucesso, principalmente, de repercussão.

O maior erro da segunda temporada foi fazer um troca brusca em seu elenco. No primeiro episódio, apenas Narcisa estava de volta, acompanhada por quatro novas participantes que não mostraram logo de cara a que vieram. O ajuste poderia ter sido mais discreto, com a mudança de uma ou duas protagonistas e a manutenção daquelas que mais deram certo. Na estreia da segunda temporada, o público teve que se familiarizar com essas novas mulheres e foi quase como ver um novo programa. Pior do que o anterior.

Cozete parece ter sido escalada para ser a nova Lydia, aquela com mais classe e que trabalha; Mariana, que quer ser atriz, revelou-se uma boa personagem para o programa, principalmente pelos conflitos com o marido; Aeileen começou difícil de aturar, mas a sua falta de noção, e o investimento em uma carreira para a qual não tem talento, renderam boas cenas; Andréa resolveu apostar todas as suas fichas no reality e fará de tudo para aparecer do primeiro ao último episódio; já Narcisa é aquela personagem que dispensa comentários, é quase como um núcleo cômico totalmente desligado dos outros, e que às vezes cansa.

O fato é que o elenco da primeira temporada era mais carismático, tanto é que a maioria delas voltará em participações especiais, uma tática que a Band usou quando viu que esse elenco não renderia o que eles esperavam. A direção teve tempo ainda de resgatar a protagonista da primeira edição, Val Marchiori. Seria burrice, e um risco muito grande, não ter a polêmica socialite de volta.

O programa retornou melhor produzido, com uma fotografia bem cuidada e imagens bonitas, mas manteve com alguns defeitos do ano passado, como a edição que repete cenas à exaustão, o que faz com que elas percam grande parte da graça quando são exibidas pra valer. A futilidade declarada continua a mesma, e é esse o seu diferencial em relação aos realities que querem ser sérios. Mesmo que tenha voltado com uma versão mais “pobrinha”, Mulheres Ricas é sempre diversão garantida. É só não levar a sério.

5 motivos que não salvam Salve Jorge

Há quase três meses, eu falei aqui no blog sobre Salve Jorge, que na época tinha acabado de estrear. Eu disse que era cedo para falar da novela propriamente dita e acabei ficando este tempo sem postar. Agora retorno de onde parei, expondo os 5 principais pontos que, na minha opinião, impedem a novela de Glória Perez de ter repercussão e audiência maior, embora ela tenha melhorado cerca de 5% desde o início. Confira:

1 – Rodrigo Lombardi

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O ator nunca encontrou o tom do seu personagem e Glória Perez também tem uma parcela de culpa nisso. A autora colou o protagonista em situações bizarras e exageradas, como ser o herói em um assalto, e deu-lhe diálogos tão açucarados que são capazes de matar um diabético. Com isso, o casal central, embora não sofra rejeição, não chega a encantar o público, que não torce, apenas assiste. Vale abrir parênteses para dizer que, ao contrário de seu par, Nanda Costa revelou-se uma escolha acertada e hoje é difícil imaginar outra atriz para o papel.

2 – As situações forçadas

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Tudo que bem que, para embarcar em uma ficção, é preciso boa vontade muitas vezes. O público já se acostumou, por exemplo, que, em uma novela de Glória Perez, seja qual for o país, a língua usada é sempre o português, até porque seria inviável ter legenda em grande parte das cenas, afastaria o telespectador. Salve Jorge, porém, tem exigido um carinho extra do público. As situações pelas quais Morena passa, como trancar Irina e ninguém desconfiar de onde ela estava e vir pro Brasil e encontrar a família para depois voltar, e a forma como essas situações são expostas destoam da proposta da novela de mostrar esta realidade, inclusive com depoimentos.

3 – A superpopulação

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Ninguém sabe ao certo quantos personagens a novela tem, é um número que talvez nunca seja revelado. Mais grave do que a quantidade é a qualidade dessas tramas paralelas, a grande maioria delas até agora não disse a que veio. Aliás, praticamente nada de relevante aconteceu até hoje com os personagens secundários. Não há uma história forte de humor, nenhum personagem caiu no gosto popular, e o drama é raso, ainda não conseguiu envolver o telespectador. Nem personagens importantes, como a de Flávia Alessandra, conseguiram deixar claro quais são as suas funções na história.

4 – A vilã apática

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Por enquanto, a vilã da novela é a Wanda, interpretada com maestria por Totia Meirelles, a melhor coisa da novela até o momento. A Lívia, de Claudia Raia, está tão apagada que mal foi citada no grupo de discussões. A vilã não teve grande embates com ninguém e vive de manter as aparências. Há promessas de que as coisas vão esquentar, mas, por enquanto,  se ela sumisse de um capítulo para o outro, ninguém sentiria falra.

5 – A Turquia

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Depois de duas culturas exóticas (O Clone e Caminho das Índias), o telespectador cansou de viajar e tudo o que quer é se ver em um bairro de alguma cidade brasileira. Fora a “estadia” de Morena por lá, e o núcleo da boate, as outras cenas no exterior servem como intervalo para o telespectador ir ao banheiro. Parece que a novela entra em outra época e o público acaba não se envolvendo com as tramas daqui e nem com as de lá. Um terremoto seria providencial para eliminar a grande parte do elenco que vive na Turquia. E não seria a primeira vez deste desastre natural em uma novela.