Arquivo do mês: novembro 2014

Livro detalha trilhas sonoras de novelas

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Foi lançando, esse mês, um livro que é praticamente uma bíblia para os amantes de trilhas sonoras de novelas. ‘Teletema – A história da música popular através da teledramaturgia brasileira’ é do jornalista Guilherme Bryan com Vicent Villari, parceiro de Maria Adelaide Amaral em seus últimos trabalhos e um apaixonado por telenovelas e temas musicais. O livro é dividido por eras, de acordo com o conceito musical e comercial de cada época, e comenta trilha por trilha, falando sobre as canções de destaque e o contexto delas na música popular.

É tão bem detalhado que esse é apenas o primeiro volume, vai de 1964 a 1989. Destaque para a lista que encerra a publicação, com a vendagem de cada trilha lançada no período. É um livro que estava faltando e é obrigatório para quem se interessa pelas músicas que tocam nas novelas. E nos ajuda a relembrar que nossas trilhas, e nossas músicas, já foram bem melhores.

Serviço:                                                                                                                                  Teletema – A História da música popular através da teledramatugia brasileira  / Autores: Guilherme Bryan e Vicent Villari / Editora Dash / Preço sugerido: 69,90

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Qual é mesmo o crime de ‘O Sexo e as Negas’?

o sexo e as negas

Há cerca de dois meses no ar, O Sexo e as Negas, no início, fez mais barulho pelo o que não é. Em meio a tempos politicamente corretos, nos quais até uma ironia fina pode virar ofensa para aqueles que não conseguem interpretá-la, a série recebeu duras críticas antes mesmo de estrear. Acusaram-na de preconceito, exploração sexual e até um boicote foi incitado pela internet. O que vemos no ar são quatro mulheres que superam as dificuldades com alegria, atitude e muitos sonhos.

Bem interpretadas por Corina Sabba, Lilian Valeska, Karin Hills e Maria Bia, as protagonistas sofrem, sim, preconceito, reclamam do cabelo e passam por situações inspiradas na realidade. Seria hipocrisia contar a história de quarto negras sem falar do preconceito, explicito ou velado, tão presente no nosso país. Mas as negas que vemos na série não são apenas isso. Elas também transam, trabalham, debocham e lutam por uma vida melhor. Como fazem quaisquer mulheres, independente de raça, credo ou opção sexual.

O sexo e as Negas fala, antes de tudo, de sentimentos. Do amor mal resolvido, do sonho com o príncipe encantado, da esperança por uma vida melhor, da amizade que faz as coisas parecerem mais fáceis. E, além de falar de tudo isso, comum a todos nós, ainda enaltece e coloca no centro do palco quarto negras lindas. A série pode ter sido idealizada por um loiro, mas tem a alma negra, e talvez, por isso, tenha sofrido tanto preconceito antes mesmo de ser vista. Afinal, qual é o crime em ter, como protagonistas, quarto mulheres independentes e desbocadas, que transam quando querem e com quem querem?

Polêmicas à parte, Miguel Falabella firma-se como um dos melhores autores de série do país. Entrega, como de costume, um texto cheio de deboches e ironias, mas também repleto de reflexões e, até mesmo, certa doçura. Há, sim, algo de muito bonito na história dessas quarto mulheres que, ao final de cada episódio, viram divas e mostram que podem ser o que quiserem. Até mesmo superiores a tudo isso.

Alto Astral devolve normalidade para o horário das sete

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Depois de duas novelas que tentaram inovar (Além do Horizonte e Geração Brasil), mas acabaram não fisgando o público, a Globo resolveu apostar no básico e colocou no ar, há quase duas semanas, a novela Alto Astral. Investindo forte no romance do casal central, a trama mostrou logo de cara quem são os bons e os maus. A parte espírita da novela, muito pouco explorada nas chamadas antes da estreia, talvez por precaução, também logo deu as caras, desde as primeiras cenas.

Sem ser abordada com profundidade, até porque esse nem é o intuito, esse mote religioso da trama, por enquanto, é composto por fantasminhas camaradas. A forma como está sendo conduzida, tanto pela direção quanto pelas interpretações, buscando o máximo possível de leveza, deixa Alto Astral quase com cara de comédia romântica da Sessão da Tarde. E isso pode ser muito bom para o momento pelo qual o horário das sete passa.

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E é uma certa leveza, ou talvez maior sutileza, que falta ao personagem de Thiago Lacerda. Não é nem tanto a interpretação do ator, mas pela forma como a trama dele é conduzida e as atitudes do personagem, ruim desde criancinha. Ele fica quase over em alguns momentos. Por outro lado, Cláudia Raia, com uma personagem que é a sua cara e, por isso, na zona de conforto, consegue iluminar todas as cenas das quais participa. Samanta precisava mesmo de uma atriz que, ainda que não traga novidades, jogue as cenas para cima, no limite do exagero, tirando a novela da normalidade em alguns momentos.

Alto Astral é toda certinha. Tem uma direção correta, fotografia bonita, boas interpretações (Sérgio Guizé, um acerto, ótimo como protagonista e trazendo frescor), uma abertura muito bem feita e uma série de outros itens que são, na verdade, tudo aquilo que uma novela precisa ter. E talvez seja isso mesmo que o horário esteja precisando: das coisas no seu devido lugar. Isso, Alto Astral garante desde o seu primeiro dia.

Na Trilha do Som: Império Internacional

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Império Internacional, que tem tiragem inicial de 50.000 cópias, é uma das melhores trilhas internacionais dos últimos tempos. A de Amor à Vida também era boa, mas deixou de fora cinco importantes canções que tocaram na novela, o que acaba desmerecendo um pouco o CD. A seleção da história de Aguinaldo Silva ainda tem artistas nacionais cantando músicas de outros países, e isso parece inevitável hoje em dia, mas não tem em quantidade exagerada, como Guerra dos Sexos Internacional, por exemplo. O CD  de Império tem cara de trilha internacional de novela das nove, ou seja, é boa. Além da música de abertura, que também está no nacional, e deveria ter ficado apenas lá, o disco tem outros destaques, como Magic (Coldplay), Sing (Ed Sheeran), Demons (Imagine Dragons), Almost Home (Moby), Love Someone (Jason Mraz) e Miss You Love (Silvechair), todas devidamente tocadas na novela. A trilha traz também a deliciosa Marilyn Monroe (Pharrell Williams), a música das dancinhas de Maria Marta (Lilia Cabral). Como pontos “negativos”, eu cito Quelqu’um M’a Dit (Carla Bruni), que já tinha sido destaque em Belíssima, na mesmíssima versão, e Somewhere Over The Rainbow, tocada em diversas novelas nas mais diferentes versões, o que já está bem cansativo. imperio internacional A capa traz o Comendador e ficou sombria como o protagonista. Não ficou feia, mas a impressão que eu tenho é que as capas dos CD`s de Império estão trocadas. Essa combina mais com a trilha nacional e a capa com Leandra Leal deveria ilustrar o Volume 2 (a ser lançado na próxima semana), que traz músicas mais populares. Já Maria Marta, que está na capa deste último CD, combina mais com a trilha internacional. Um cuidado que a Som Livre poderia ter tido, mas que não tira os méritos da boa trilha que a novela das nove tem.

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Lista do “Melhores do Ano” mostra falta de cuidado com festa da firma

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O Melhores do Ano, premiação do Domingão do Faustão, sempre foi uma espécie de festa da firma transmitida na TV. O fato de só contar com concorrentes da própria empresa é até compreensível, visto que, no Brasil, as emissoras não têm o hábito civilizado de receber artistas de outras emissoras com naturalidade. Mas quando o prêmio esquece atores do próprio canal é porque ele está prestes a perder o restinho de dignidade que lhe resta.

A lista dos indicados de 2014 traz um fato grave: em nenhuma das sete categorias, nas quais era possível, houve sequer um indicado da novela Em Família. A trama ficou muito aquém do esperado em vários quesitos, é verdade, mas não podemos deixar de reconhecer que trouxe boas atuações, como as de Vanessa Gerbelli, Marcello Melo, Humberto Martins e até a própria Júlia Lemmertz. Melhores do que alguns dos indicados.

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Não sabemos ao certo como é realizada essa primeira triagem, feita por meio do voto de funcionários da Globo, se é espontânea ou através de uma lista. Poderíamos dizer que o erro foi por falta de memória, já que a maioria dos indicados está no ar ou estava até pouco tempo, mas os votantes lembraram-se de Amores Roubados, por exemplo, exibida no começo do ano.

Outro fato a se destacar é a falta de categorias para melhor novela e melhor série. Se é possível elegerem os melhores atores, também cabe a eleição dos melhores programas. A eleição de um em nada desmerece o outro. Até porque, no Melhores do Ano, até Fernanda Montenegro já foi derrotada. É a festa da firma, com votos de torcidas, mas inegavelmente interessante de ser visto. Só podia ser melhor.

Clique aqui para ver a lista completa dos indicados ao prêmio, que será exibido no dia 28 de dezembro.

A Fazenda vive prova de resistência própria

Em sua sétima edição, o reality A Fazenda, se fosse uma pessoa, ganharia todas as provas de resistência de qualquer programa do tipo.  Com uma audiência ok, repercussão baixa e sem se pagar, a atração está no ar apenas por teimosia de parte da diretoria da Record. Uma outra parcela defende o seu  encerramento desde o ano passado. Não há como negar que a edição do reality melhorou muito desde a primeira exibição (acredite, já foi bem pior!), mas ela ainda é lenta e repetitiva para esse tipo de programa.  Hoje, esse já é não é o pior dos problemas. Existem outros dois que eu considero cruciais para a derrocada da atração. O apresentador

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Britto Junior nunca se encontrou à frente do programa. Sem carisma e jogo de cintura, o apresentador já viveu momentos constrangedores ao vivo, sendo ignorado pelos participantes ou discutindo com o seu ponto eletrônico.  O roteiro já é ruim e ele consegue ser ainda pior quando improvisa, perdendo a chance de valorizar os momentos de emoção e esvaziando a tensão quando ela é necessária. Deveria ter sido trocado já na segunda edição. *Rodrigo Faro chegou a apresentar a versão para anônimos, mas também não se destacou. O elenco

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Em um reality que se propõe a confinar famosos, o mínimo que o público espera é ligar a TV e reconhecer algumas personalidades de sucesso. A cada edição, o número de pessoas realmente conhecidas foi diminuindo, atingindo seu ápice no programa que está no ar. O público, certamente, sente-se enganado. “Compra” uma coisa e leva outra. Fica difícil localizar os famosos no meio daquele bando de anônimos.  

História de amor com o público

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Vai ao ar na sexta-feira, pelo Viva, o último capítulo da reprise de História de Amor. A novela de Manoel Carlos, que também já teve espaço no Vale a Pena Ver de Novo, tem um público cativo e é sucesso garantido sempre que é exibida. Com uma trama central simples, talvez a mais delas entre as já “cotidianas” novelas do autor, História de Amor acaba sendo atemporal e encantando justamente por ter como protagonistas os sentimentos mais básicos do ser humano: o amor maternal sem medidas, a rivalidade entre mãe e filha, a cumplicidade entre vizinhos, o ciúmes desmedido… Estão todos lá, em histórias que poderiam estar acontecendo na casa ao lado ou na nossa própria casa.

Quem já não viu uma filha tratar mal uma mãe e sentiu raiva disso? Quem não sabe de uma patroa que trata a funcionária como alguém da família? Quem não conhece alguém ou não teve um vizinho ou amigo com intimidade para abrir a geladeira? Em História de Amor, esses gestos e sentimentos simples eram fundamentais e criaram e criam identificação imediata com o telespectador, não importando quantas vezes a novela for exibida.

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Esses momentos não teriam tanto peso se não fossem costurados por aquilo que Manoel Carlos tem de melhor: seus diálogos, que poderiam sair da boca de qualquer pessoa real. Soma-se a isso uma direção na medida certa, que não quis se sobressair à história, contribuindo para o clima leve e despretensioso que a novela tem. Não é à toa que Ricardo Waddington foi responsável também pelos maiores sucessos do autor na Rede Globo (Por Amor, Laços de Família e Mulheres Apaixonadas).

Regina Duarte foi outro ponto fundamental para o sucesso da novela. Ela interpretou a sua melhor Helena, a mais popular e próxima do telespectador. Tão real e simples, que seu visual chegou a ser criticado na época da exibição. É possível ver, em cada cena da atriz, sua paixão em interpretar aquela mulher, tanto é que ela chegou a pedir para Boni (diretor da emissora na época), que a novela fosse eterna, como já contou em diversas entrevistas. Não foi só ela que teve esse desejo.

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O elenco é praticamente irrepreensível, salvo um ou outro caso. Conta com um José Mayer com charme e descrição na medida certa; uma Carolina Ferraz ainda sem maturidade como atriz, mas dando conta do recado; uma Carla Marins que foi atriz o suficiente para ter as melhores cenas com Regina Duarte; e uma Lilia Cabral naquele que eu considero, até hoje, seu melhor papel na TV, com nuances e mudanças de comportamento que poucas atrizes conseguiriam levar sem cair no ridículo. Podemos citar ainda Nuno Leal Maia, Eva Wilma, Bia Nunnes, Yara Cortes e praticamente todo o elenco.

E é impossível não mencionar a trilha sonora, tanto aquela lançada nos CD`s, quanto a instrumental. A verdade é que História de Amor é uma daquelas raras novelas nas quais tudo dá certo. Não é recordista de audiência, não é uma novela tida como um grande clássico, mas conquista pouco a pouco, capítulo a capítulo, quem quer que se atreva a assisti-la. Afinal, é assim, sem pressa, que acontecem as grandes histórias de amor.