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José do Egito mostra que Record sabe produzir bem quando quer

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A Record estreou José do Egito,  sua nova minissérie bíblica, filão que vem rendendo uma boa audiência para a emissora. Os números que as produções anteriores apresentaram resultaram em um investimento crescente, visível na obra que acaba de começar.

José do Egito tem uma fotografia impecável e uma boa produção, superior a de Rei Davi, que já tinha sido caprichada. Fora uma cena ou outra meio “Salve Jorge na Turquia”, tudo teve um cuidado bem maior do que aquele que as novelas da casa recebem.

O tema religioso, que espanta certa parcela do público, serve também como chamariz para outra parte. Um ponto que pode causar estranhamento é ver atores brasileiros caracterizados para a produção, mas este trabalho já está quase hollywodiano se for comparado ao da primeira minissérie bíblica produzida pela Record, A História de Ester.

O primeiro capítulo foi interessante, embora sem grandes movimentações, e José, por enquanto, foi coadjuvante. O destaque ficou para Marcela Barrozo e sua Diná. Ricky Tavares ainda terá chance de mostrar que sua escalação foi acertada, já que fez um belo trabalho em Vidas em Jogo e chegou ao posto por merecimento.

José do Egito mostra que a Record sabe fazer produtos de qualidade, basta investimento certo. Talvez seja o caso de começar a dividir a verba para que todas as produções tenham um bom padrão. José, certamente, não se oporia a esta boa ação.

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Apanhado da Semana

Como eu estive fora por alguns dias, resolvi fazer um apanhado com alguns assuntos da semana. Aí vai:

O Video Game Verão pode até ter saído do ar antes do previsto, mas ele já vai embora tarde demais. Escalado para impulsionar a fraca audiência de Malhação, o programa, se dependesse da qualidade e da sensatez dos executivos da emissora, nunca deveria ter ido ao ar. Com provas sem graça e convidados mal selecionados, a “atração” pecou também pela produção pobre e pela apresentação, que nunca deveria ter saído das mãos de Angélica. O final da história já estava anunciado: o programa não pegou, não cumpriu a missão de ajudar Malhação, pelo contrário, e ainda causou constrangimento na emissora pelo resultado final. O Vídeo Show vai para o mesmo caminho. Sob as asas de Boninho, o programa foi descaracterizado, é apresentado através de um jogral entre André Marques e Ana Furtado, e conta com matérias cada vez mais irrelevantes. Dani Monteiro, cobrindo as férias de Geovanna Tominaga, contribui para fazer a receita desandar. Triste para um programa que já foi um dos guardiões da memória da nossa TV. Hoje é uma grande bobagem.

 

Brado Retumbante terminou sem conquistar a audiência que merecia. Com um texto irretocável, a minissérie contou com ótimas interpretações, Maria Fernanda Candido em seu melhor momento e a direção sempre correta de Ricardo Waddington. Política, se não for tratada de forma cômica, é um tema que raramente desperta grande interesse na teledramaturgia. A fotografia fria, embora muito justificável neste caso, sempre me incomoda um pouco na TV, mas é um detalhe perto da qualidade apresentada. Mostrando os bastidores do mandato de um presidente fictício, Brado Retumbante fez a lição de casa direitinho, mas nem sempre isso basta para fisgar o heterogêneo e complexo público televisivo.

 

Com Rei Davi, a Record conseguiu subir um degrau em relação às séries bíblicas apresentadas anteriormente, mas não ainda para justificar a aposta nestes temas. Algumas caracterizações e efeitos incomodam, e os diálogos poderiam ser um pouco melhor trabalhados. É realmente difícil entender tanto gasto neste momento da emissora em um produto que, dada a complexidade da produção, sempre ficará aquém do necessário em determinado aspectos, como na aparência dos atores. Os números mostram que, apesar dos pesares, o produto foi aprovado, e os temas bíblicos sempre têm o seu público. Vale pela boa intenção da Record e pela aposta em produtos especiais, que é sempre importante.

 

Páginas da Vida foi mais uma vez vetada na reprise do Vale a Pena Ver de Novo. Até aí nenhuma surpresa, e já era até óbvio. Se a abertura de Mulheres de Areia precisou ser modificada, o que esperar da trama na qual uma avó recusa a neta com Síndrome de Down? A Rede Globo foi muito otimista em tentar exibir a novela. No lugar da obra de Manoel Carlos, está confirmada, segundo alguns veículos, a segunda reprise de Chocolate com Pimenta, de Walcyr Carrasco. A história é boa e tem muitas qualidades, mas nada que justifique uma segunda exibição. Com um cardápio enorme de tramas para serem levadas ao ar, a emissora mostra mais uma vez que a escolha das novelas do Vale a Pena é feita de uma forma bem peculiar, e que é melhor nem tentar entender.

Dercy de Verdade vai além da biografia e termina como bela homenagem

Chegou ao fim Dercy de Verdade, mais um belíssimo texto de Maria Adelaide Amaral, dirigido por Jorge Fernando, a pessoa certa para retratar a irreverência de Dercy Gonçalves. O diretor não conseguiu imprimir seu estilo com a força que fez em Tititi, mas isso não diminui os méritos na minissérie. Dercy de Verdade, aliás, foi mais do que uma minissérie, foi uma das mais belas homenagens já feitas na televisão.

A autora não apenas retratou a vida de Dercy, fez dela a  protagonista absoluta, com direito a nome em primeiro lugar nos créditos da abertura, algo inédito e justo. As cenas reais de  Dercy no meio da história criaram um recorte interessante, que engrandeceu a obra, ao invés de gerar comparações com as intérpretes.

Heloisa Périssé e Fafy Siqueira conseguiram mostrar que não são apenas comediantes, são grandes atrizes. Heloísa deixou claro que tem futuro promissor na teledramaturgia do canal, já Fafy levou para a personagem alguns vícios da imitação que faz de Dercy, mas provou que segura bem cenas mais fortes. Não dá para condenar as atrizes por alguns exageros, já que era uma das caracteristicas da retratada.

Um dos poucos problemas da minissérie foi a trilha, que merecia acordes inéditos, e não uma reciclagem de Chocolate com Pimenta. Tivesse seguido a ideia da abertura , com uma instrumental de “A perereca da vizinha”, tão cantada por Dercy, a produção teria mais personalidade neste quesito.

Maria Adelaide ficou devendo mais dos últimos anos de Dercy, como ela vivia perto dos cem anos e as dificuldades pelas quais passou. Alguns momentos da vida da homenageada ficaram sem profundidade, e talvez para isso fosse preciso mais alguns capítulos . Nada que tire a grandeza da homenagem como um todo, um recorte que mostrou que além de uma senhora que se promovia falando palavrão, Dercy era uma puta atriz.

A semana

102

● A atriz Jessica Capshaw, a Dra. Arizona de Grey’s Anatomy, fica na série até o final da 5º temporada, com possibilidade de voltar na 6º.

Smallville, Supernatural, Gossip Girl, One Tree Hill e 90210 são renovadas pela CW.

Os Simpsons terá mais 2 temporadas, tornando-se a maior série da TV americana.

● O piloto do remake de Melrose Place entra em produção.

● A atriz Drew Barrymore é cotada para dirigir Eclipse, a 2º continuação de Crepúsculo.

Séraphine, dirigido por Martin Provost, vence o César, o Oscar Francês. Dustin Hoffman é agraciado com um César honorífico, recebido das mãos de Emma Thomson.

● Antonio Banderas é escalado para o próximo filme de Woody Allen, ainda sem título definido.

● Clint Eastwood recebe homenagem do Festival de Cannes.

● Antônio, personagem de Dado Dolabella em Chamas da Vida, deixa a novela nos próximos capítulos. Ele morrerá motivado pelo mau comportamento do ator nos bastidores.

● A região de Petrópoles é escolhida para as primeiras cenas de Promessas de Amor, a terceira parte dos mutantes, da Record.

Mulheres Apaixonadas marca 26 pontos de média no último capítulo no Vale a Pena Ver de Novo, média superior a das novelas das 18hs, das 19hs e de Malhação no mesmo dia.