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Louco por Elas traz qualidade com cheirinho de naftalina

Esperei mais um episódio de Louco por Elas ir ao ar para falar da série, e fiz bem. A segunda semana foi melhor que a primeira, e deu vontade de aguardar a próxima, coisa que a estréia não conseguiu.

Louco por Elas não inova nada no formato das séries exibidas pela Globo. Segue o antigo padrão americano, ainda em voga na maioria das comédias exibidas por lá, no qual cada episódio tem um determinado “tema”, que não é sequer lembrado na semana seguinte.  Embora já tenha passado da hora da emissora fazer outros testes como fez com A Cura, ainda não é na série de João Falcão que isto vai acontecer.

A história protagonizada por Eduardo Moscovis é interpretada por um elenco enxuto, e muito bem escalado, e o texto é dinâmico, cheio de referências, o que o aproxima do público. O primeiro episódio, que tentou fazer mais piadinhas do que o necessário, foi superado pelo segundo, que encontrou um equilíbrio maior e mostrou que situações podem ter mais graça do que piadas prontas.

Falar da qualidade dos trabalhos de João Falcão é chover no molhado. Tanto sua direção quanto texto são praticamente irrepreensíveis, e mereciam mesmo um espaço fixo na TV. Apesar de todas as qualidade, Louco por Elas tem algo dos anos noventa que eu não sei explicar bem o que, mas que ronda a produção. Talvez seja mesmo o formato, ou um ar de inocência, apesar de algumas abordagens. O certo é que é um produto de qualidade, que merece ser visto e deve crescer em audiência quando ganhar a companhia de Tapas & Beijos.

 Referência bem-vinda

No segundo episódio, quando a personagem de Glória Menezes vai até a boate, encontra um garoto interpretado por Arlindo Lopes, uma clara referência à peça Ensina-me a Viver, adaptada e dirigida por João Falcão e interpretada pelos dois atores. Uma das mais belas produções que eu já vi nos palcos, a peça enaltece o talento de Glória, que merecidamente ganhou vários prêmios, e nos mostra o grande trabalho de um ator pouco conhecido do público. Com tantas pessoas “mais ou menos” invadindo nossas produções, é de se espantar que Arlindo Lopes ainda não tenha encontrado seu espaço na televisão.

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Apanhado da Semana

Como eu estive fora por alguns dias, resolvi fazer um apanhado com alguns assuntos da semana. Aí vai:

O Video Game Verão pode até ter saído do ar antes do previsto, mas ele já vai embora tarde demais. Escalado para impulsionar a fraca audiência de Malhação, o programa, se dependesse da qualidade e da sensatez dos executivos da emissora, nunca deveria ter ido ao ar. Com provas sem graça e convidados mal selecionados, a “atração” pecou também pela produção pobre e pela apresentação, que nunca deveria ter saído das mãos de Angélica. O final da história já estava anunciado: o programa não pegou, não cumpriu a missão de ajudar Malhação, pelo contrário, e ainda causou constrangimento na emissora pelo resultado final. O Vídeo Show vai para o mesmo caminho. Sob as asas de Boninho, o programa foi descaracterizado, é apresentado através de um jogral entre André Marques e Ana Furtado, e conta com matérias cada vez mais irrelevantes. Dani Monteiro, cobrindo as férias de Geovanna Tominaga, contribui para fazer a receita desandar. Triste para um programa que já foi um dos guardiões da memória da nossa TV. Hoje é uma grande bobagem.

 

Brado Retumbante terminou sem conquistar a audiência que merecia. Com um texto irretocável, a minissérie contou com ótimas interpretações, Maria Fernanda Candido em seu melhor momento e a direção sempre correta de Ricardo Waddington. Política, se não for tratada de forma cômica, é um tema que raramente desperta grande interesse na teledramaturgia. A fotografia fria, embora muito justificável neste caso, sempre me incomoda um pouco na TV, mas é um detalhe perto da qualidade apresentada. Mostrando os bastidores do mandato de um presidente fictício, Brado Retumbante fez a lição de casa direitinho, mas nem sempre isso basta para fisgar o heterogêneo e complexo público televisivo.

 

Com Rei Davi, a Record conseguiu subir um degrau em relação às séries bíblicas apresentadas anteriormente, mas não ainda para justificar a aposta nestes temas. Algumas caracterizações e efeitos incomodam, e os diálogos poderiam ser um pouco melhor trabalhados. É realmente difícil entender tanto gasto neste momento da emissora em um produto que, dada a complexidade da produção, sempre ficará aquém do necessário em determinado aspectos, como na aparência dos atores. Os números mostram que, apesar dos pesares, o produto foi aprovado, e os temas bíblicos sempre têm o seu público. Vale pela boa intenção da Record e pela aposta em produtos especiais, que é sempre importante.

 

Páginas da Vida foi mais uma vez vetada na reprise do Vale a Pena Ver de Novo. Até aí nenhuma surpresa, e já era até óbvio. Se a abertura de Mulheres de Areia precisou ser modificada, o que esperar da trama na qual uma avó recusa a neta com Síndrome de Down? A Rede Globo foi muito otimista em tentar exibir a novela. No lugar da obra de Manoel Carlos, está confirmada, segundo alguns veículos, a segunda reprise de Chocolate com Pimenta, de Walcyr Carrasco. A história é boa e tem muitas qualidades, mas nada que justifique uma segunda exibição. Com um cardápio enorme de tramas para serem levadas ao ar, a emissora mostra mais uma vez que a escolha das novelas do Vale a Pena é feita de uma forma bem peculiar, e que é melhor nem tentar entender.

Séries retornam para curta temporada

Com o fim de O Astro, na próxima sexta-feira, estão de volta à programação da Globo as séries A Mulher Invisível (terça), Força Tarefa (quinta) e Macho Man (sexta). Os programas retornam por pouco tempo, já que em dezembro começam os especiais de fim de ano. Com temporadas curtas, e sem época do ano certa para começar, as séries da emissora seguem um modelo de exibição que, se por um lado confere dinamismo à programação, por outro deixa algumas histórias sem chances de engrenar.

Com média de oito capítulos por temporada, determinadas séries mal conquistam o público e já saem do ar, em certos casos pra nunca mais voltar. Os Aspones, Guerra e Paz, O Sistema e Tudo Novo de Novo são exemplos de histórias que passaram tão rápido, que algumas nem são lembradas pelos telespectadores. Há situações em que o esquecimento é merecido. Como existe a possibilidade de testar muita coisa, acabam sendo exibidos programas que nunca deveriam ter ido ao ar. Em outros casos, séries de qualidade terminam sem tempo de serem compreendidas, ou de serem ajustadas. São raros os programas que conseguem uma temporada ininterrupta, como A Grande Famíla e Tapas e Beijos.

O fato é que o Brasil é o país das telenovelas , e ainda está aprendendo a fazer séries, se adaptando e buscando a melhor forma. Inúmeras coisas boas já foram exibidas, mas ainda há muito a ser feito. O formato com temporadas curtas tem suas vantagens, a emissora não se compromete por muito tempo com um produto que pode não dar certo, e há a possibilidade de testar vários enredos, mas sempre fica a sensação de algo incompleto, que poderia render mais. O país das telenovelas ainda tem muito a aprender, e há enorme potencial para isso. Os acertos estão aí para provar.

Assunto sério

Em um seminário de teledramaturgia que falou de humor, essa semana, em São Paulo, os roteiristas Claudio Paiva e Mauro Wilson soltaram algumas curiosidades sobre programas dos quais já fizeram parte. Eu estive lá e selecionei algumas declarações. Confira:

– Sobre A Grande Família:

“No final do primeiro ano, fui assistir uma gravação. Era uma cena em que o Tuco saía do quarto com uns amigos, e a marcação do diretor deu a entender que eles tinham fumado um baseado. Aquilo me incomodou, não estava no roteiro. Não era uma época boa para falar de drogas, o Rio cheio de problemas, não me interessava fazer essa piada ali. Voltei pra casa, pensei, e resolvi fazer um programa sobre isso. Tuco fazendo biscoito de maconha, o Linei come sem querer… Só o Tuco sabe, e ele tem que cuidar do pai. Um dos diretores artísticos da emissora vetou, e nós ficamos um ano lutando por isso. Chegamos aos superiores desse diretor, argumentamos e conseguimos autorização pra gravar. Foi um sucesso. Para não provocar o diretor artístico, naquele ano eu não coloquei o episódio no DVD do programa. Coloquei no ano seguinte”, Claudio Paiva.

“O Tuco estava meio perdido na série, chegando aos trinta, não sabíamos pra onde caminhar. Formamos uma comissão artística, e uma das sugestões foi que ele virasse pastor, ficasse rico, mas achamos melhor não colocar. Se tratássemos de forma negativa, iria denegrir os pastores. Se tratasse de forma positiva, estaríamos apoiando. Foi uma questão ética de criatividade. Hoje o personagem tem um caminho”, Mauro Wilson.

– Mauro Wilson fala sobre a série Aline, cuja segunda temporada teve audiência insatisfatória e foi cancelada com cinco episódios no ar. Três, já gravados, jamais foram exibidos:

“A emissora nunca se sentiu confortável com Aline, todos os personagens tinham uma coisa outside. A primeira temporada foi um sucesso, a segunda saiu do ar cedo demais. Acho que nós passamos do ponto para uma emissora do alcance da Globo. Brincamos com o produto, sofisticamos demais. Nosso trabalho é tentar arriscar, e quando você arrisca pode passar do ponto”.

“Em nenhum momento a gente pensou em fazer uma cena de sexo a três. Ficava apenas na imaginação das pessoas. Isso que era legal”.

– Claudio Paiva, sobre ética na comédia:

“No horário nobre você está falando para 30 milhões de pessoas, e tem que pensar que tem todo o tipo de gente assistindo. Ética existe na autoria de qualquer obra. O autor tem o direito de falar de qualquer coisa, isso apenas vai delimitar o alcance dele. Se ele falar coisas escrotas, vai alcançar pessoas escrotas. É preciso segurar as pontas. Dependendo do que você fala, pode até ser preso. É uma decisão que cabe ao autor”.

Semana passada

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● Record decide estrear Poder Paralelo, novela de Lauro César Muniz que substitui Chamas da Vida, no dia 14 de abril, uma terça-feira.

● Selma Egrei, Irene Ravache e Guilherme Fontes são alguns dos atores escalados para a nova série da Globo, Para Sempre, do núcleo de Denise Sarraceni. A história tem leve inspiração na americana Brothers and Sisters.

Toma Lá Dá Cá terá 23 episódios em 2009, o que fará com que a série saia do ar antes do final do ano, revezando com outra produção.

● Produtores de Jericho e Pushing Daisies negociam para que o final das séries seja contado através de quadrinhos.

● Mischa Barton é escalada para o drama Beautiful Life, nova série da CW sobre um grupo de modelos que divide apartamento em Nova York.

Without a Trace e Cold Case podem ser canceladas pela CBS, principalmente pelo alto custo de produção.

● Rebecca Romijn (ex-Ugly Betty) e Lindsay Price (ex-Lipstick Jungle) estão escaladas para Eastwick, adaptação de As Bruxas de Eastwick que vem sendo produzida pela ABC.

Watchmen perde a liderança das bilheterias na semana para o remake de Montanha Enfeitiçada, da Disney.

● Keira Knightley afirma que não tem intenção de participar de Piratas do Caribe 4.

● Mickey Rourke e Scarlett Johansson, como a Viúva Negra, confirmam participação em Homem de Ferro 2.